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O objetivo deste trabalho é restabelecer o lugar da Psicofísica nos trabalhos de Fechner, rompendo com a concepção vigente, que a considera uma mera ferramenta instrumental a serviço do rigor científico da Psicologia. Com isto, busca-se situá-la enquanto função empírica do pensamento metafísico e religioso, a chamada Visão Diurna. Para tal, este pensamento é esmiuçado em seus componentes, como a hipótese panpsiquista, a tese anímica da natureza, a hierarquia das almas e a concepção panteísta de Deus. De igual modo, esse quadro do pensamento de Fechner habilita ao estabelecimento de ressonâncias com a obra de outros pensadores, com especial destaque para a filosofia de Baruch de Spinoza.
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Procura-se, aqui, saber por que a Psicologia, mesmo almejando-se científica, possui uma multiplicidade de orientações, sem que nenhuma saia vencedora, ou, ao menos, perdedora. Sem se ater à qualquer juízo epistemológico sobre a cientificidade da Psicologia, o que se busca aqui é a constituição de modelos que dêem conta deste estado de coisas. Inicialmente postula-se um modelo sincrônico e descritivo deste quadro da Psicologia, batizado de máquina de múltiplas capturas. Sugere-se aqui que as diferentes Psicologias representam diversos modos em que práticas sociais são acopladas a conceitos científicos que, com este poder de ser ciência, retornam às práticas sociais, produzindo subjetividades. Para explicar o funcionamento destas máquinas, é constituído um modelo diacrônico que visa buscar as condições históricas destas múltiplas capturas na modernidade, onde são inventadas diversas cisões como as existentes entre: homem X natureza; indivíduo autônomo X controlado; sujeito empírico X transcendental, passíveis de várias combinações.
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A maior dificuldade que um psicólogo pode encontrar é a tentativa de definir a sua própria área de saber. Não apenas no que se refere aos seus objetos de estudo, mas também seus métodos, problemas e alvos teóricos e práticos. Para defini-la, ou assumimos um determinado ponto de vista, desprezando os demais, ou esperamos uma unificação futura, na certeza de que estamos acumulando elementos para tal. Dificuldade semelhante ocorre quando se tenta definir o ethos, ou o modo de subjetivação brasileiro. Tal dificuldade de circunscrição se deveria não apenas a uma mistura radical de cultura agregadas em nosso território, mas a um maior incremento de novas influências. Portanto, pensar no modo de subjetivação brasileiro implica em pensar em mais do que uma miscigenação consumada, mas uma constante possibilidade de novas misturas. Essa atitude é consoante ao que Oswald de Andrade chamou de cultura antropofágica. O objetivo deste artigo, é, pois, tormar este conceito antrofagia, não apenas para pensar o modo de subjetivação brasileira, mas de forma paralela, o modo de funcionamento plural das psicologias(AU)
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Este artículo es el resultado de una investigación particular, es la propuesta de un plan de trabajo para comprender la psicología en un sentido histórico y desde sus efectos prácticos en la actualidad. La tesis central es que nuestra experiencia de la subjetividad es efecto de un conjunto de prácticas de subjetivación, y que esta experiencia es una de las condiciones para el surgimiento mismo de la psicología, siendo ésta hoy en día uno de los más poderosos vectores de producción de subjetividad. Para ello propondremos inicialmente un conjunto de definiciones previas sobre la subjetividad, la producción de subjetividad y la psicología. A continuación serán analizadas algunas de las contribuciones sobre el tema de la producción de subjetividades, como los trabajos de Meyerson, Foucault, Guattari y Latour. Más adelante se propone una reflexión histórica de nuestra experiencia de subjetividad a partir de tres prácticas: 1) las de confesión; 2) las referentes a los dispositivos de privacidad; 3) las relativas a la descripción de las condiciones de autoconocimiento. Para acabar, se planteará cómo estas prácticas constituyen una experiencia constitutiva para la psicología y cómo éstas se establecen como poderosos dispositivos de producción de subjetividades.
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Visa-se promover uma comparação entre a Teoria de Ator-Rede, de Bruno Latour, e o Empirismo Radical, de William James, a fim de realçar semelhanças estratégicas no combate aos pensamentos dualistas. Apesar de possuírem adversários distintos, ambos elaboram uma ontologia muito semelhante, bastante próxima do que Gilles Deleuze e Félix Guatari chamaram de Monismo Pluralista ou pensamento rizomático. Tal ontologia serviria de combate especialmente para o dualismo no plano cognitivo, recusando a idéia do conhecimento como um salto das representações do sujeito à coisa conhecida. Pois para estes dois autores o conhecimento se faz antes de tudo pelo meio, pelos intermediários, em que sujeito e objeto são meros produtos deste processo. Outro dualismo recusado é o operado entre verdade e crença, ainda que as estratégias aqui se revelem diferentes: a recusa do conceito de crença para Latour e a absorção dele à noção de verdade para James. Por fim, discute-se como estas duas estratégias concorrem para um pragmatismo ampliado(AU)
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A meta deste artigo é, inicialmente, fazer um levantamento dos trabalhos de Michel Foucault sobre o história da loucura, do Renascimento (século XV) até os nossos dias. Levantamento que inclui näo apenas o clássico A História da Loucura (1961), mas igualmente outros trabalhos que se manifestaram em fases mais tardias do seu pensamento. Este mapeamento do trabalho de Foucault näo visa apenas um recenseamento extensivo do tema, mas principalmente um diagnóstico dos perigos atuais existentes no trato com a loucura. No presente, um destes riscos se manifesta na conjunçäo do processo da Reforma Psiquiátrica com a Reforma do Estado brasileiro, em que a desarticulaçäo do modelo asilar pode ser assimilada ao próprio desmonte de certos serviços públicos, lançando toda uma populaçäo enclausurada e tutelada no espaço público cada vez mais exíguo de nossas cidades. Movimento que faz com que esta populaçäo reencontre alguns parceiros clássicos da grande internaçäo produzida em meados do século XVII: mendigos, prostitutas, blasfemadores, etc. Como este processo agora se produz fora das grades e muros das casas, praças e prédios das cidades, será ele denominado: o grande exclauduramento
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