A sua pesquisa
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O objetivo desse estudo foi investigar o compromisso social dos psicólogos brasileiros evidenciado nas publicações da revista Psicologia: Ciência e Profissão, uma publicação do Conselho Federal de Psicologia. Buscou-se verificar quais as direções que assume o compromisso social dos psicólogos brasileiros, uma vez que consideramos que esse compromisso social não é único, mas ocorre num processo complexo de ambigüidades e contradições. Tratou-se de uma pesquisa documental cuja análise foi empreendida via articulação do conceito de compromisso social com aspectos da história da Psicologia. Foram lidos todos os artigos (429) para seleção daqueles que discutiam a prática profissional do psicólogo (120) e finalmente desses foram selecionados aleatoriamente 26 textos para a realização da análise, que foi feita com a técnica de análise de conteúdo. Concluímos que o compromisso social do psicólogo brasileiro caracteriza-se pelo movimento de discordância e contradição, convivendo simultaneamente, no interior de um mesmo trabalho, teorias ou práticas psi direcionadas ao mesmo tempo para a transformação da sociedade em direção a uma ética universal voltada para emancipação e para a manutenção da ideologia dominante reprodutora da dialética exclusão/inclusão social. Foi possível também constatar que houve uma mudança na concepção que os psicólogos fazem dos sujeitos e, conseqüentemente, dos fenômenos psicológicos nas últimas décadas: estes passaram a ser entendidos como constituídos de modo concreto, histórico e social, considerando-se a mútua relação sujeito/sociedade. Porém, se esta mudança não gerar novos referenciais teóricos e novas perspectivas de intervenção, pode servir para escamotear diferenças significativas que caracterizam a diversidade da psicologia e que a aproximam ou distanciam do modo de organização social vigente.
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Este trabalho tem como objetivo compreender a História da Psicologia no Estado deGoiás a partir de sua relação de complementaridade com a Educação, contextualizando a penetração, o apogeu e o declino da Escola Nova no Estado, assim como as concepções, os discursos e as práticas psicológicas, oriundas desse movimento, sinalizando também a sua transição para uma proposta de cunho tecnicista. Para tanto, foi realizado, inicialmente, um estudo histórico-bibliográfico descrevendo e discutindo a Psicologia e a produção historiográfica da mesma no Brasil. Esse estudo possibilitou a compreensão da situação histórica da Psicologia no Brasil, apontando também alguns trabalhos mais recentes que contribuíram para a escrita da história dessa ciência nos diferentes Estados. Num segundo momento, buscou-se descrever e discutir a história da Psicologia em Goiás, alçando relação com educação. Esse momento está dividido em três partes. Na primeira parte foram descritas e analisadas as concepções, os discursos e as práticas psicológicas na Educação, anteriores ao advento da Escola Nova. Na segunda parte, buscou-se descrever e analisar a Psicologia em Goiás desde a inserção do ideário escolanovista até a sua consolidação e declínio. Numa terceira parte, procurou-se apresentar uma descrição e analise sobre o Ensino Tecnicista em Goiás, buscando sua relação com a Psicologia. A pesquisa revelou que as ideias da Escola Nova: 1. estiveram presentes em documentos oficiais desde 1916; 2: começaram a se intensificar a partir dos anos de 1920, sendo possível evidenciar, com mais clareza, sua relação com a Psicologia 3. tiveram sua máxima expressão, o apogeu, na era Vargas/Ludovico (1930-1945), principalmente após 1937, sendo a Revista Oficial de Instrução o mais importante impresso para sua disseminação nessa época, onde foram publicados vários artigos de autores goianos sobre Psicologia e Escola nova; 4. Após a era Vargas/ Ludovico, as ideias escolanovistas começam a perder sua força, o que pode ser evidenciado na diminuição de temas referentes a Escola Nova na segunda fase da Revista Oficial de Instrução, e o aumento de temas relacionados a técnica e aperfeiçoamento técnico. No final de 1950 até 1962, foi possível perceber, na terceira fase deste periódico, um esvaziamento ainda maior das ideias escolanovistas, e uma aumento expressivo de assuntos voltados para: a educação do adulto; os aspectos socioculturais da Educação; a educação dos excepcionais; o ensino da matemática; a preparação técnica dos professores por meio de programas de formação/especialização; a Psicologia dos excepcionais, os testes psicotécnicos como instrumentos para seleção de professores; os métodos de pesquisa em Psicologia.
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A presente pesquisa se insere entre os estudos da história da Psicologia no Brasil, especialmente, sobre estado de Mato Grosso. Seu objetivo foi compreender o processo pelo qual o primeiro curso de psicologia de Cuiabá foi fundado, considerando as especificidades do momento histórico e desenvolvimento social do território no qual se constituiu. Fundamenta-se no método materialista histórico-dialético e em suas premissas, especialmente na apreensão da história como produto do trabalho coletivo dos humanos de transformação da natureza; e que a sociedade na qual essa atividade se realiza produz formas particulares de existência. Para tanto, foram escolhidos a coleta e análise documental como procedimentos para a realização do estudo. A coleta de documentos foi iniciada por meio do cadastro e-MEC de Instituições e Cursos de Ensino Superior, aliada à investigação dos relatórios gerados pelo IBGE e documentos (pareceres, resoluções e decretos) recolhidos por meio do portal de acesso a informações do MEC. Para a análise dos dados foi empregada a técnica de análise de conteúdo. Os resultados indicaram que o processo para a fundação de cursos de psicologia nas décadas de 1980 e 1990 não foi apenas produto da vontade de alguns, ou um evento sem correlação com a dinâmica da ação humana. Compreendeu-se que a autorização para o funcionamento dos cursos de psicologia nessas décadas destacadas levou em consideração questões como: necessidade social, capacidade econômico-financeira da instituição e situação geoeducacional. Portanto, os dados revelaram que os cursos de psicologia, em especial o da UNIC, atenderam às necessidades sociais produzidas em um campo social e em determinado meio de produção, em um dado momento histórico. Tais elementos produziram as especificidades das relações estabelecidas, gerando as formas pelas quais o curso de psicologia em questão foi introduzido na sociedade cuiabana
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Este trabalho apresenta uma narrativa histórica sobre os laboratórios de Análise do Comportamento no Brasil, mais precisamente, os da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em decorrência dos impactos da Análise do Comportamento na UFMG durante a década de 1970, o período investigado situa-se entre 1969 e 1981. A caixa decondicionamento operante foi o principal objeto analisado. A caixa, como instrumento científico, permitiu a elaboração de discursos sobre os laboratórios e sobre aqueles que o utilizaram. Como aporte para a análise dos percursos da UFMG, utilizou-se de parte da história do behaviorismo na Universidade de São Paulo (USP) entre 1961 e 1965. Isso se deveu às influências da USP na UFMG no tocante à Análise do Comportamento. Foram referenciais teóricos, trabalhos da História da Psicologia e dos Estudos Sociais da Ciência. Foram utilizadas técnicas de História Oral, Iconografia e Análise Documental para o levantamento e análise dos dados. Dentre os documentos analisados, encontram-se:fotografias; cronogramas, ementas e planos de ensino de disciplinas; cartas; relatórios de atividades; relatórios de compra de equipamentos; periódicos; e anais de eventos. Além disso, foram analisadas entrevistas realizadas com professores que atuaram nos laboratórios de Análise do Comportamento durante o período estudado. Os resultados indicaram que a caixa de condicionamento operante e, consequentemente, os laboratórios de Análise do Comportamento, foram apropriados como elementos de ensino e pesquisa no período.Especificamente na UFMG, eles foram utilizados primordialmente como recursos de ensino. Dessa maneira, o laboratório didático de Análise do Comportamento ficou em evidência. Pode-se interpretar que isso ocorreu por quatro motivos principais: (a) os professores envolvidos no desenvolvimento inicial da Análise do Comportamento acreditavam em uma Psicologia científica; (b) esses sujeitos comungavam da crença da importância do laboratório para uma Psicologia científica; (c) o acentuado interesse desses docentes na criação de condições de ensino de uma Psicologia científica experimentalista; e (d) a necessidade de formação específica para atuar nos laboratórios de pesquisa experimental em Análise do Comportamento. Observou-se, ademais, a caixa de condicionamento operante acentuando aimportância do laboratório de Psicologia Experimental no imaginário de uma Psicologia científica no Brasil. Dessa forma, o laboratório didático de Análise do Comportamento foi mais um dos elementos intimamente relacionados à formalização dos primeiros currículos de Psicologia no Brasil, justificados em bases científico-experimentais e à institucionalização da Psicologia como ciência e profissão.
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O objetivo deste trabalho é descrever e analisar o laboratório de psicologia da Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte. A temporalidade estudada coincide com seu funcionamento - 1929 a 1946 e nossas fontes foram textuais e iconográficas. Nolaboratório, circularam diferentes sujeitos, tais como políticos mineiros, especialistas europeus e estudantes-professoras da Escola de Aperfeiçoamento. O laboratório estava equipado com cerca de 60 instrumentos diferentes, dentre aparatos de bronze e vidro, bem como, de testes psicológicos. Os resultados indicam que o laboratório foi uma ferramenta importante no ensino e na pesquisa em psicologia, permitindo a realização de estudos psicológicos que contribuíram para a formação prática das estudantes-professoras. Essa formação prática possibilitou a aprendizagem de conhecimentos psicológicos sobre a escola, a infância brasileira e a professora primária. Concluímos que o laboratório de psicologia da Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte contribuiu para a organização e a circulação da psicologia, nas primeiras décadas do século XX, no Brasil.
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Historicamente, a Psicologia foi chamada a contribuir, por meio dos seus métodos e técnicas, no sentido de compreender os aspectos relacionados à tríade trabalhador-trabalho-sociedade, como também a propor intervenções, considerando o contexto político, cultural, econômico e social em que o trabalho se inseria. Com isso, para se entender as problemáticas, perspectivas e desafios atuais da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT), é importante e necessária uma compreensão histórica e contextualizada de como a Psicologia vem sendo construída, ao longo das décadas. A presente pesquisa visou descrever e analisar publicações vinculadas à Psicologia do Trabalho que foram veiculadas nos Arquivos Brasileiros de Psicotécnica (ABP), entre 1949 e 1968. O recorte temporal compreendeu os anos de trâmite da regulamentação da profissão de Psicologia no país, além de incluírem todo o período de existência dos ABP. Como referencial teórico-metodológico, utilizou-se dos recursos da Sociobibliometria e apropriou-se de estratégias da História Digital da Psicologia para se produzir uma História Crítica da Psicologia. Os resultados desta investigação sinalizam estudos e intervenções que levaram à compreensão dos impactos das transformações do Trabalho na vida do trabalhador, considerando aspectos produtivos, de saúde, qualidade de vida, relações sociais, entre outros vieses pertinentes à interação sujeito-trabalho. Todavia, a maior parte das investigações sinalizava o papel da Psicologia nas organizações e a utilização de seus métodos e técnicas para o desenvolvimento teórico e aplicado na investigação de habilidades e tendências de comportamento. Neste contexto, visavam o ajustamento do trabalhador às condições específicas dos cargos, bem como a possibilidade de promover condições para o seu desenvolvimento. Outro aspecto observado é que a aplicação dos conhecimentos científicos psicológicos, na área do trabalho, está associada à regulamentação da profissão de Psicólogo, com a sanção da Lei 4119 de agosto de 1962. Assim, historicizar a Psicologia Organizacional e do Trabalho, por meio de publicações da época, permitiu lançar luz sobre aspectos de seu desenvolvimento, os impactos na formação da identidade do psicólogo, bem como suas formas de atuação, no país.
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Nossa pesquisa tem como objetivo compreender o período inicial da trajetória intelectual de Celso Pereira de Sá, a partir da análise documental da dissertação e tese do autor, contextualizadas em sua trajetória de vida. Especificamente, visamos mapear os principais conceitos debatidos pelo autor tanto em sua dissertação quanto em sua tese; bem como, identificar a rede de autores com quem Sá debate nestes textos para verificar afinidades, apropriações e afastamentos; também debater aspectos biográficos de Sá correspondentes ao período de mestrado e doutorado do autor. A pesquisa é ancorada na perspectiva historiográfica, apropriando-se de contribuições da História Social da Psicologia, da História Intelectual e dos Intelectuais e na História Oral. Para tanto, utilizamos fontes primárias documentais e orais, que passaram por análise de seus conteúdos. Os resultados indicam que sua trajetória intelectual revela uma proposta singular: a proposição de uma Psicologia Social Comportamentalista Radical, capaz de operar criticamente sobre as contradições sociais brasileiras. Essa proposta consiste em uma interface entre a Análise do Comportamento e as Ciências Humanas, orientada por valores de justiça social, popularização do conhecimento e enfrentamento das desigualdades estruturais. Como consequência desta pesquisa, também foi notado o distanciamento de Sá das comunidades científicas comportamentais de sua época, o que pode refletir na maneira como Sá se apropriou de conceitos, discursos e convergências da maneira distinta da comunidade da época. Identificou-se ainda que Sá compreendia o contracontrole social não apenas como categoria descritiva, mas como instrumento político-pedagógico de emancipação, visível, por exemplo, em sua Cartilha de Contracontrole Social.
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Pensar a Psicologia do tempo presente demanda olhares para a Psicologia do passado e as respectivas diversidades de suas áreas. Tal é a principal tarefa da psicóloga-historiadora. Historicamente, a Psicologia guarda estreitas relações com a Fisiologia, especialmente por meio das teorias comportamentais denominadas behaviorismos, sendo duas delas o condicionamento clássico de Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) e o condicionamento operante de Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). O primeiro era fisiologista e o segundo desenvolveu seus estudos comportamentais a partir de um departamento de Fisiologia. Nesse sentido, estudos históricos na interlocução entre as duas áreas, mormente focalizadas nos behaviorismos, parecem promissores para ambas. No Brasil, um dos fisiologistas pioneiros em estudos de Fisiologia e comportamento foi o argentino naturalizado brasileiro Miguel Rolando Covian (1913-1992), que chegou ao país em 1955 e desenvolveu seus trabalhos na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, vinculada à Universidade de São Paulo (USP). Covian chamava de interrelação cérebro-mente o que contemporaneamente denomina-se neurociências comportamentais. Após seu falecimento, sua “herança” é atualmente denominada Coleção Miguel Rolando Covian e está acondicionada no Centro de Memória e Museu Histórico da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Parte dessa coleção compõe as fontes primárias desta pesquisa arquivística. Ao todo, foram digitalizadas 1.082 páginas e tabuladas 704. As categorias para tabulação dos dados foram: tipo; autoria (nome e localização); destinatário (nome e localização); data; timbre do documento; pessoas mencionadas; fundos de financiamento; menções a teorias comportamentais; menções a modelos experimentais; resumo do conteúdo; forma de apresentação; e idioma. A amostra documental abriga diversas temáticas e, dentre estas, receberam destaque, nesta tese, (1) a relação mestre-discípulo entre Covian e Bernardo Alberto Houssay (1887–1971), seu orientador na graduação em Medicina; (2) a articulação de Houssay no fomento a intercâmbios de saberes entre grupos de pesquisa da América Latina, tanto entre si quanto com países do Norte Global, em especial os Estados Unidos da América; (3) as ações de financiamento estadunidenses aos grupos ligados a Houssay, principalmente via Fundação Rockefeller; e (4) as trocas de conhecimentos e práticas experimentais, com menções a teorias comportamentais. Os conteúdos apresentados via tabulação nesta pesquisa possibilitam pensar historiografias em variados campos, com destaque para as Neurociências Comportamentais, reafirmando Covian como um personagem promissor para a História das Ciências, em geral, e para a História da Psicologia, em especial.
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Esta tese lança luz historiográfica sobre processos legais relacionados à regulamentação da formação e profissão de psicólogo, no país. O processo legal culminou com a aprovação da Lei nº 4119/62, cuja origem ocorreu a partir da década de 1930 e finalizou na década de 1970, com a promulgação de documentos vinculados aos Conselhos de Classe. Assim, o objetivo foi o de descrever e analisar o trâmite legal da regulamentação da Psicologia, no Brasil, entre 1950 e 1962. Particularmente, identificamos atores sociais e controvérsias quanto a aspectos da formação e do exercício profissional, quando do trâmite e regulamentação da Lei nº 4.119/62. A pesquisa está lastreada em análise documental e as fontes primárias são, prioritariamente, documentos legais componentes do Dossiê Legislativo da referida lei. Os resultados obtidos sugerem embates em torno de dois eixos centrais: as funções do psicólogo e a qualidade de sua formação. O primeiro apareceu nas controvérsias relacionadas ao fazer clínico da Psicologia que, nas fontes pesquisadas, apareceu concorrente à atuação da Medicina e da Assistência Social. Ainda nessa seara, houve intensos debates sobre aqueles que seriam reconhecidos como psicólogos, a partir da promulgação da lei supracitada. Isso se devia, novamente, ao que seria estabelecido como função prévia vinculada, necessariamente, a tal profissão. O segundo eixo referia-se ao estabelecimento de um currículo que, a partir da delimitação do que o psicólogo poderia – ou não – fazer, instituir-se-ia a partir de um conjunto de disciplinas que oportunizasse a formação para sua futura atuação. Destarte, notase que a regulamentação veio atender às “necessidades sociais” brasileiras (e.g., racionalização do trabalho, problemas escolares etc.), além de responder às crescentes demandas daqueles que já ocupavam os campos de atuação eminentemente psicológicos.
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Este trabalho tem, como objetivo, descrever e analisar as produções e os conhecimentos de Enfermagem que circularam na revista Annaes de Enfermagem, entre 1932 e 1988, bem assim suas interfaces com os saberes Psi. Para isso, utilizamos, como fonte primária, textos que circularam na Revista Annaes de Enfermagem, no período selecionado. O recorte temporal se justifica, pois 1932 foi o ano de circulação do primeiro fascículo e 1988 foi o ano de implantação do SUS. A pesquisa se insere no campo da História das Ciências, na interlocução com a História da Enfermagem e a História da Psicologia à luz dos conceitos “estilo de pensamento” e “coletivo de pensamento”. Metodologicamente, é uma pesquisa historiográfica de cunho bibliométrico, cujas fontes primárias foram textos da referida revista, analisados de maneira mista: quantitativa e qualitativamente. Os resultados indicaram um número expressivo de publicações por autores anônimos; a predominância de autoria feminina; a relativa conexão entre as carreiras e as atuações das autoras e suas relações com a produção circulante nos Annaes; um espaço exclusivo para enfermeiras diplomadas socializarem suas produções e um esforço de definição da profissão. As produções cumpriram a função de dar visibilidade à Enfermagem brasileira considerada moderna, ou seja, profissionalizada pelas escolas. Os Saberes Psi eram objetos de interesse daquele coletivo, que passou a divulgá-lo, no periódico, e a introduzi-lo nos currículos das Escolas de Enfermagem. Foram apropriados para compor o processo de conformação da enfermeira moderna por, pelo menos, três mecanismos, a saber: (1) o ensino de Psicologia voltado para a formação moral e comportamental da enfermeira; (2) o ensino de Psicologia para a capacitação da enfermeira na assistência ao doente, além da saúde do corpo, i.e., um cuidado social e psíquico e (3) o ensino de Psiquiatria para capacitar a enfermeira no cuidado com o doente mental. O interesse, nesse campo, foi ao encontro do estilo de pensamento Nightingaleano de formação da enfermeira considerada ideal para confluir com a conformação à Enfermagem moderna brasileira.