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O trabalho pertence ao domínio da História das Idéias Psicológicas, entendida como parte da História Cultural cujo objeto é o estudo dos conceitos referidos ao ambiente cultural onde foram construídos. Portanto, aparece clara a pertinência de uma linha de pesquisa que investigue o significado dos conhecimentos psicológicos no âmbito da área multifacetada da cultura, ao longo do tempo. O presente estudo aborda os conceitos acerca dos fenômenos psicológicos formulados no âmbito da literatura espiritual e da produção filosófica da Companhia de Jesus ao longo dos séculos XVI e XVII. A experiência psicológica é interpretada em termos das noções elaboradas pelos tratados filosóficos, os quais por sua vez fundamenta-se na tradição aristotelico-tomista. A "psicologia" jesuítica possui uma dimensão filosófica, relativa ao ensino e à produção intelectual da Companhia, juntamente a uma dimensão prática, fundada na antiga tradição da Medicina do ânimo.
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Este artigo analisa alguns sermões pregados entre os séculos XVII e XVIII no Brasil, baseados em metáforas alimentares. O uso das metáforas, recorrente nos sermões do período colonial, fundamenta-se em dois alicerces: 1) na teoria aristotélica do conhecimento, em que o sensorial ocupa um papel prioritário, como porta de acesso para a compreensão das idéias mais abstratas e para a mobilização dos afetos e da vontade visando à modificação do comportamento dos ouvintes; 2) na doutrina platônica sobre a importância das imagens para conservar a memória das idéias. A oratória sagrada do período desperta interesse para a história cultural, uma vez que os sermões constituíram-se numa importantíssima fonte de transmissão de doutrinas e de modelagem dos comportamentos numa sociedade em que a oralidade era a principal forma de difusão dos conhecimentos.
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O objeto do trabalho é a Psicologia transmitida e elaborada em instituições de ensino da cidade de São Paulo no século XIX (até 1870). O material documentário,levantado nos acervos de tais instituições e considerado interessante para o tema da pesquisa foi consultado, reproduzido ou transcrito,e selecionado, procurando-se identificar, entre outras coisas, sua importância e difusão na época.
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Objeto do artigo são os conhecimentos psicológicos transmitidos e produzidos em instituições de ensino superior e secundário na cidade do Rio de Janeiro, durante o século XIX (até 1870), visando-se evidenciar por meio da análise critica a significação conceituai e a função social doe mesmos no fimbito do contexto brasileiro da época. Através de um levantamento de material documentário relativo a algumas escolas importantes do Rio de Janeiro, no século XIX, foi possível reconstruir o quadro dos conteúdos e das práticas psicológicas objeto de ensino e de elaboração em tais escolas, evidenciando-se a coexistência de diferentes propostas em termos de abordagens doutrinárias, de enfoques metodológicos, de objetivos visados.
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O artigo constitui-se num relato da experiência de pesquisa conduzida nos acervos de cidades históricas do Brasil, visando levantar e reproduzir documentos de oratória sagrada, especificamente sermões pregados no Brasil do século XVI ao fim do XVIII e posteriormente transcritos e impressos. Tais documentos são fontes preciosas para a reconstrução da história da cultura da época, ainda mais importantes pelo seu teor de recursos elaborados visando a transmissão oral dos conhecimentos e a persuasão dos ouvintes. A pesquisa documental nesta área aponta para uma situação muito grave no que diz respeito ao estado de conservação de grande parte destas fontes, bem como evidencia uma freqüente dispersão quanto às condições de preservação e de disponibilização das mesmas. Será proposta uma descrição destes documentos e do estado dos acervos.
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O artigo aborda, na perspectiva da história dos saberes psicológicos, as narrativas acerca do emprego dos recursos imagéticos junto as populações nativas elaboradas por autores jesuítas protagonistas da epopeia missionária nas Reduções dos territórios guaraníticos, entres o século XVII e XVIII. Os autores são: Diego de Torres Bollo; Pedro de Oñate; Antônio de Ruiz Montoya; Antônio Sepp. Os documentos são: cartas, uma crônica histórica e um diário. A interpretação é fornecida na perspectiva dos saberes psicológicos disponíveis no universo cultural dos autores. A imagem é tomada como elemento capaz de estimular o dinamismo psíquico em sua complexidade, envolvendo sensibilidade, memória, imaginação, atenção, cognição e vontade. O efeito logrado, segundo os autores, seria a construção de uma relação imediata dos índios com as imagens evocadoras de presenças sagradas símbolos do universo cristão e persuasivas quanto aos conteúdos doutrinários e a mudança de comportamentos e hábitos.
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O artigo aborda algumas etapas do percurso conceitual que levou à elaboração e transmissão do conceito de pessoa e dos métodos para o seu conhecimento ao longo da história da cultura ocidental e da cultura brasileira, desde a antiguidade grega até ao século XIX. Evidencia que o conceito de pessoa é inerente à modalidade própria do homem ocidental conhecer a si mesmo e seus semelhantes e que este saber constituiu-se desde a origem num dinamismo caracterizado por um duplo e paradoxal movimento, cujo foco é simultaneamente voltado para a interioridade e aberto para a alteridade. Conclui que o conceito de pessoa e o seu conhecimento representam ainda hoje um desafio para a psicologia contemporânea.
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O artigo discute a pertinência da fonte autobiográfica como material documentário para a reconstituição histórica dos saberes psicológicos no âmbito da cultura, à luz das propostas de alguns autores contemporâneos a respeito deste tema (Zambrano, Courcelle, Hadot, Gurevič). Nesta perspectiva, relata também algumas etapas importantes da história deste gênero literário, tendo como ponto de partida a contribuição de Agostinho de Hipona, sua influência ao longo da Idade Média e as continuidades e as transformações do gênero na Idade Moderna (Montaigne, Cardano, Vico, Teresa de Ávila, Rousseau).
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O artigo aborda a discussão ocorrida em instituições educacionais da Companhia de Jesus sobre a função da psicologia no currículo de estudos, nas primeiras décadas do século XX na Europa. O estudo baseia-se num levantamento histórico de fontes inéditas no arquivo geral da Companhia de Jesus em Roma. A análise dos dados levantados evidencia que um dos temas mais debatidos é aquele das relações entre psicologia experimental e psicologia racional. Os resultados apontam que esta discussão é perpassada pela tensão entre tradição e inovação, que caracteriza a posição intelectual da Companhia como um todo; e pelo critério jesuíta da acomodação (acomodatio), ou seja, a necessidade da adequação ao contexto espaço-temporal de atuação. Mostram também que foi grande o interesse pela psicologia experimental no âmbito da Companhia naquele período histórico.
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A nova configuração do mundo da Idade Moderna levou os intelectuais europeus a deslocamentos mentais, indicados por diversas expressões, tais como viagem espiritual, viagem mental, viagem imaginária. Neste artigo, propomos três exemplos desse processo, através da análise de escritos autobiográficos, anotações e ensaios de três autores italianos: Federico Borromeo (1564-1631); Ludovico Antonio Muratori (1672-1750); Gian Rinaldo Carli (1720-1795). Os três autores, de modos diferentes, se referem à viagem entendida como deslocamento mental e realizada pelo emprego de alguns processos psicológicos, especialmente a imaginação. Nosso objetivo é analisar o significado que a viagem entendida como deslocamento mental assume no contexto biográfico e no universo histórico cultural de cada autor; e a significação psicológica das expressões viagem espiritual, viagem intelectual, viagem mental, por eles empregadas, à luz dos saberes psicológicos da época em que elas foram formuladas.
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O objetivo do artigo é discutir as matrizes teóricas da concepção vieiriana da palavra como instrumento da medicina do ânimo. Através do método da história conceitual, são evidenciados na leitura dos sermões de Vieira, tópicos recorrentes que se referem à função terapêutica da palavra. É estabelecida a relação entre esses tópicos e o universo cultural a que Vieira se inspira, especialmente a Companhia de Jesus. Os resultados apontam pelo fato de que a função da oratória na perspectiva de Vieira inspira-se numa tradição, cujos pilares são Cícero, Sêneca e Agostinho. Estes autores foram apropriados pela Companhia de Jesus e propostos nos Colégios, desde o século XVI. Conclui-se que pela referida tradição, o cuidado do ânimo é entendido como pratica da vida regrada pelo exercício da sabedoria. Tal exercício cura desequilíbrios anímicos e enfermidades decorrentes. Esse cuidado é confiado à palavra ordenada conforme os preceitos da retórica articulados a conceitos filosóficos.
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O trabalho relata alguns aspectos significativos da discussão acerca dos modelos de Psicologia científica que se delineou em vários artigos publicados em periódicos científicos brasileiros nas primeiras décadas do século XX. Nesses, médicos, filósofos e psicólogos discutem os objetos, os métodos, os objetivos e a utilidade da Psicologia científica, tendo em vista os desenvolvimentos das mais importantes propostas teóricas, como a Psicanálise, o Behaviorismo, a Teoria da Forma, e confrontando-as com os desafios e as problemáticas da realidade sócio-cultural brasileira. A cientificidade da Psicologia é discutida tendo como referencial modelos mais gerais de ciência.
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O artigo analisa os projetos legislativos apresentados por intelectuais e políticos brasileiros do século XIX propondo a inserção da "Psychologia" (ou de conhecimentos psicológicos) nos currículos escolares de várias instituições educacionais do País. Alguns fatores característicos emergem na leitura de tais documentos: a falta de realismo que permeia muitas propostas legislativas, a tendência à imitação acrítica de modelos estrangeiros; a influência determinante das mudanças ideológicas sobre a organização dos currículos de estudos. Tais aspectos marcam a introdução da psicologia como disciplina institucional, no âmbito do sistema escolar brasileiro do século XIX.
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O artigo apresenta a contribuição de Biagio Pelacani da Parma (1347-1416), filósofo, astrólogo e matemático do século XVI, no âmbito da História das Idéias Psicológicas. Biagio, que foi docente nas mais prestigiosas universidades italianas da época, escreveu vários tratados, entre os quais um comentário ao texto aristotélico "De Anima" (1385) e as "Quaestiones de Optica" (1390). O interesse desses dois textos para a História das Idéias Psicológicas está no fato do autor propor neles uma visão de homem e um esboço de Psicologia inspiradas num racionalismo materialista e fundadas numa concepção astrológica determinista. Nessa abordagem, a Psicologia é considerada como parte do domínio da Filosofia Natural e não da Ética ou da Teologia.
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O artigo descreve e analisa os conhecimentos psicológicos elaborados e transmitidos na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, no século XIX. Os documentos utilizados para a pesquisa säo dissertaçöes, teses, artigos e livros produzidos por alunos e docentes da Faculdade, na época considerada. A leitura desse material evidencia o significado e a relevância que o estudo da subjetividade humana assume nesse contexto. De forma específica, säo discutidas as definiçöes atribuídas a essa área de interesse pelos autores e os métodos propostos seja para o estudo dos fenômenos psíquicos, seja para a terapia dos fenômenos psicopatológicos
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O artigo descreve a contribuição de um médico iluminista, Francisco de Mello Franco (1757-1822), Ã evolução dos conhecimentos psicológicos no âmbito da cultura brasileira do fim do período colonial. De maneira específica, são analisadas algumas obras desse autor: o Tratado sobre a Educação Física dos Meninos (1790), a Medicina Theológica(1794) e os Elementos de Hygiene (1813). Nelas, Mello Franco, inspirando-se na Medicina francesa do século XVIII, tenta propor uma Ciência do homem como um todo - incluindo também os aspectos psicológicos - e uma visão materialista do mesmo.
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A pesquisa analisa o desenvolvimento das definições de Psicologia no seio de diferentes áreas de estudo na cultura brasileira do século XIX (Filosofia, Medicina, Pedagogia, Teologia Moral). A pesquisa é baseada na leitura de documentos históricos (por exemplo, currículos e manuais utilizados em importantes escolas brasileiras do século XIX). Nos documentos aparece uma grande quantidade de palavras e expressões para denominar o universo dos conhecimentos psicológicos. Essa diversidade revela a dispersão dos conhecimentos psicológicos em diferentes áreas do saber da época. Ao mesmo tempo, aparece nos documentos a necessidade de desenvolver novos recursos conceituais e lingüísticos para definir o dominínio dos estudos psicológicos, fato esse que representa um sinal claro da tentativa de tornar este domínio uma disciplina autônoma.
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El artículo analiza el Catálogo Trianual de la recién constituida Provincia Jesuítica del Paraguay escrito por Diego de Torres Bollo en 1614, centrándose en la descripción de los temperamentos y cualidades de los miembros de la Orden pertenecientes a dicha provincia. Estos datos se comparan con otras fuentes referidas a biografías y otros aspectos históricos que dilucidan el significado y la función de la valoración realizada por el provincial. El Catálogo de 1614 (y los catálogos trienales en general) no es un mero registro formal, sino que responde a la necesidad de que la Compañía de Jesús, presente en un contexto misionero desafiante, sea un "cuerpo" vivo y sano en los aspectos, espiritual, psíquico y somático, y como tal, capaz de responder a las necesidades del entorno. Para ello, el ideal de equilibrar el cuerpo social y espiritual de la Compañía debe tener en cuenta la complexión, es decir, el estado de los cuerpos físicos, una visión presente en los ignacianos desde el principio.
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The article analyzes the allegorical Brazilian novel História do Predestinado peregrino e de seu irmão Precito (The story of the pilgrim Predestined and his brother Reprobate) (1682) in the light of the history of psychological knowledge. The novel’s author, Alexandre de Gusmão (1695–1753), was an important member of the Society of Jesus in Brazil who became the director of Jesuit schools in the region. The article shows that the novel proposes a link between the psychological and spiritual dimensions, a link necessary for health and decisive in the healing of mental disorders. The role of psychological dynamism depends on the choice of an appropriate target or, in other words, on appetites being directed toward an appropriate object.
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