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RESUMO Neste estudo, objetivou-se descrever e analisar a circulação de Saberes Psi - Psicologia, Psicanálise e Psiquiatria - na ‘Revista Brasileira de Enfermagem’ entre 1932 e 1988. Metodologicamente, é uma pesquisa historiográfica cujas fontes primárias foram 59 textos da referida revista que abordaram o conhecimento mencionado. Os resultados indicaram que os Saberes Psi eram objetos de interesse daquele coletivo que passou a divulgá-los no periódico e a introduzi-los nos currículos das escolas de enfermagem. Foram apropriados para compor o processo de conformação da enfermeira moderna por, pelo menos, três mecanismos: 1) ensino de psicologia voltado para a formação moral e comportamental da enfermeira; 2) ensino de psicologia, para sua capacitação na assistência ao doente, além da saúde do corpo; e 3) ensino de psiquiatria, para capacitar a enfermeira no cuidado com o adoecimento mental. Notam-se, portanto, os Saberes Psi circulando no coletivo de pensamento dos autores que publicavam na revista e, concomitantemente, coadunando com o estilo de pensamento Nightingaleano de formação da enfermeira considerada ideal. Logo, tais Saberes aludiram à conformação daquilo que seria considerada a enfermagem ‘moderna’ brasileira.
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Descrever e analisar produções de enfermagem, no Brasil, que circularam na revista Annaes de Enfermagem, entre 1932 e 1988. Método: pesquisa historiográfica de cunho bibliométrico, cujas fontes primárias foram textos da referida revista, analisados de maneira mista: quantitativa e qualitativamente. Resultados: as análises indicaram número expressivo de publicações por autores anônimos; predominância de autoria feminina; relativa conexão entre as carreiras e as atuações das autoras e suas relações com a produção circulante nos Annaes; espaço exclusivo para enfermeiras diplomadas socializarem suas produções; e um esforço de definição da profissão, redefinindo-a como “moderna e científica”. Conclusão: as produções que circularam, no periódico, focalizavam qualificar a formação da enfermeira e institucionalizar leis que garantissem a defesa da classe profissional e de seus interesses socioeconômicos. As discussões representaram preocupações do coletivo de pensamento, ao eleger os “problemas de enfermagem” que conformavam sua profissionalização.
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O objetivo deste trabalho é apresentar e discutir a forma como o Sanatório São Julião circulou na mídia impressa campo-grandense, entre 1941 e 1970. Estima-se analisar, por meio do discurso midiático, práticas de assistência ao Sanatório e aos seus internos, por parte da sociedade. As fontes primárias utilizadas foram notícias publicadas em jornais, disponíveis no Arquivo Municipal de Campo Grande (ARCA), a saber: Correio do Estado, O Matogrossense e o Jornal do Comércio. As análises do material sugerem que a sociedade campo-grandense, movida por certa visão social da lepra, manifestada pela mídia impressa, “amparou” os internados no Sanatório São Julião com doações de diversos gêneros, desde alimentos a expressivos valores, efetuados por “generosos” campo-grandenses. Assim, as imagens evocadas pelo discurso midiático, referentes ao Sanatório São Julião, concebem a ideia de um cuidado em saúde ligado a práticas assistencialistas.
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Pensar a Psicologia do tempo presente demanda olhares para a Psicologia do passado e as respectivas diversidades de suas áreas. Tal é a principal tarefa da psicóloga-historiadora. Historicamente, a Psicologia guarda estreitas relações com a Fisiologia, especialmente por meio das teorias comportamentais denominadas behaviorismos, sendo duas delas o condicionamento clássico de Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) e o condicionamento operante de Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). O primeiro era fisiologista e o segundo desenvolveu seus estudos comportamentais a partir de um departamento de Fisiologia. Nesse sentido, estudos históricos na interlocução entre as duas áreas, mormente focalizadas nos behaviorismos, parecem promissores para ambas. No Brasil, um dos fisiologistas pioneiros em estudos de Fisiologia e comportamento foi o argentino naturalizado brasileiro Miguel Rolando Covian (1913-1992), que chegou ao país em 1955 e desenvolveu seus trabalhos na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, vinculada à Universidade de São Paulo (USP). Covian chamava de interrelação cérebro-mente o que contemporaneamente denomina-se neurociências comportamentais. Após seu falecimento, sua “herança” é atualmente denominada Coleção Miguel Rolando Covian e está acondicionada no Centro de Memória e Museu Histórico da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Parte dessa coleção compõe as fontes primárias desta pesquisa arquivística. Ao todo, foram digitalizadas 1.082 páginas e tabuladas 704. As categorias para tabulação dos dados foram: tipo; autoria (nome e localização); destinatário (nome e localização); data; timbre do documento; pessoas mencionadas; fundos de financiamento; menções a teorias comportamentais; menções a modelos experimentais; resumo do conteúdo; forma de apresentação; e idioma. A amostra documental abriga diversas temáticas e, dentre estas, receberam destaque, nesta tese, (1) a relação mestre-discípulo entre Covian e Bernardo Alberto Houssay (1887–1971), seu orientador na graduação em Medicina; (2) a articulação de Houssay no fomento a intercâmbios de saberes entre grupos de pesquisa da América Latina, tanto entre si quanto com países do Norte Global, em especial os Estados Unidos da América; (3) as ações de financiamento estadunidenses aos grupos ligados a Houssay, principalmente via Fundação Rockefeller; e (4) as trocas de conhecimentos e práticas experimentais, com menções a teorias comportamentais. Os conteúdos apresentados via tabulação nesta pesquisa possibilitam pensar historiografias em variados campos, com destaque para as Neurociências Comportamentais, reafirmando Covian como um personagem promissor para a História das Ciências, em geral, e para a História da Psicologia, em especial.
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Esta tese lança luz historiográfica sobre processos legais relacionados à regulamentação da formação e profissão de psicólogo, no país. O processo legal culminou com a aprovação da Lei nº 4119/62, cuja origem ocorreu a partir da década de 1930 e finalizou na década de 1970, com a promulgação de documentos vinculados aos Conselhos de Classe. Assim, o objetivo foi o de descrever e analisar o trâmite legal da regulamentação da Psicologia, no Brasil, entre 1950 e 1962. Particularmente, identificamos atores sociais e controvérsias quanto a aspectos da formação e do exercício profissional, quando do trâmite e regulamentação da Lei nº 4.119/62. A pesquisa está lastreada em análise documental e as fontes primárias são, prioritariamente, documentos legais componentes do Dossiê Legislativo da referida lei. Os resultados obtidos sugerem embates em torno de dois eixos centrais: as funções do psicólogo e a qualidade de sua formação. O primeiro apareceu nas controvérsias relacionadas ao fazer clínico da Psicologia que, nas fontes pesquisadas, apareceu concorrente à atuação da Medicina e da Assistência Social. Ainda nessa seara, houve intensos debates sobre aqueles que seriam reconhecidos como psicólogos, a partir da promulgação da lei supracitada. Isso se devia, novamente, ao que seria estabelecido como função prévia vinculada, necessariamente, a tal profissão. O segundo eixo referia-se ao estabelecimento de um currículo que, a partir da delimitação do que o psicólogo poderia – ou não – fazer, instituir-se-ia a partir de um conjunto de disciplinas que oportunizasse a formação para sua futura atuação. Destarte, notase que a regulamentação veio atender às “necessidades sociais” brasileiras (e.g., racionalização do trabalho, problemas escolares etc.), além de responder às crescentes demandas daqueles que já ocupavam os campos de atuação eminentemente psicológicos.
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Este trabalho tem, como objetivo, descrever e analisar as produções e os conhecimentos de Enfermagem que circularam na revista Annaes de Enfermagem, entre 1932 e 1988, bem assim suas interfaces com os saberes Psi. Para isso, utilizamos, como fonte primária, textos que circularam na Revista Annaes de Enfermagem, no período selecionado. O recorte temporal se justifica, pois 1932 foi o ano de circulação do primeiro fascículo e 1988 foi o ano de implantação do SUS. A pesquisa se insere no campo da História das Ciências, na interlocução com a História da Enfermagem e a História da Psicologia à luz dos conceitos “estilo de pensamento” e “coletivo de pensamento”. Metodologicamente, é uma pesquisa historiográfica de cunho bibliométrico, cujas fontes primárias foram textos da referida revista, analisados de maneira mista: quantitativa e qualitativamente. Os resultados indicaram um número expressivo de publicações por autores anônimos; a predominância de autoria feminina; a relativa conexão entre as carreiras e as atuações das autoras e suas relações com a produção circulante nos Annaes; um espaço exclusivo para enfermeiras diplomadas socializarem suas produções e um esforço de definição da profissão. As produções cumpriram a função de dar visibilidade à Enfermagem brasileira considerada moderna, ou seja, profissionalizada pelas escolas. Os Saberes Psi eram objetos de interesse daquele coletivo, que passou a divulgá-lo, no periódico, e a introduzi-lo nos currículos das Escolas de Enfermagem. Foram apropriados para compor o processo de conformação da enfermeira moderna por, pelo menos, três mecanismos, a saber: (1) o ensino de Psicologia voltado para a formação moral e comportamental da enfermeira; (2) o ensino de Psicologia para a capacitação da enfermeira na assistência ao doente, além da saúde do corpo, i.e., um cuidado social e psíquico e (3) o ensino de Psiquiatria para capacitar a enfermeira no cuidado com o doente mental. O interesse, nesse campo, foi ao encontro do estilo de pensamento Nightingaleano de formação da enfermeira considerada ideal para confluir com a conformação à Enfermagem moderna brasileira.
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Estudos sobre a história da profissão e da formação do psicólogo sugerem embates entre médicos e aqueles que praticavam psicologia, quando da regulamentação da profissão, no Brasil. Um dos embates estava relacionado à atuação do psicólogo como profissional independente, na área clínica, já que os médicos entendiam que esse campo de atuação pertencia à medicina. Neste cenário, este artigo objetiva descrever e analisar conhecimentos e práticas psicológicas produzidas pela comunidade médica, em período anterior às primeiras discussões sistemáticas sobre a regulamentação da psicologia. Assim, analisaram-se artigos publicados nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, de 1943 a 1949. Os resultados sugerem que, na circulação de práticas e conhecimentos psicológicos, na comunidade médica, houve prevalência de discursos e métodos psicanalíticos. Isto pode indicar que os embates em torno da profissionalização da psicologia ocorreram entre médicos psicanalistas e aqueles que produziam outras intervenções clinicas, em Psicologia.
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A formação do psicólogo, sua profissionalização e regulamentação da Psicologia são temáticas recorrentes de pesquisas e discussões, no Brasil. Nessa direção, objetivamos identificar e caracterizar condições do campo científico-profissional da Psicologia que estiveram envolvidas no processo da regulamentação da profissão entre as décadas de 1940 e 1950. Metodologicamente, esta é uma pesquisa na interlocução entre História Social da Psicologia e a História do Tempo Presente. As fontes primárias foram prioritariamente aqueles presentes no Dossiê Legislativo vinculado à proposição da Lei nº 4.119/62. Os resultados indicam a existência de condições típicas das comunidades científico-profissionais (e.g., sociedades, revistas, exercício profissional, etc.) antes da referida regulamentação. Tais condições respondiam ao projeto de “modernização” nacional a partir de aplicações e da formação de “especialistas” em Psicologia. Assim, o que nos parece é que, para que profissão e a formação fossem legisladas, parte das condições necessárias para sua existência já estavam presentes no país.
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Buscamos compreender, nesta dissertação, como a História da Psicologia está concebida nos currículos dos cursos de graduação em Psicologia no Brasil e nas discussões das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). Para tal, foram realizados um mapeamento dos cursos de graduação em Psicologia nas cinco regiões do país e uma busca de documentos oficiais que regulamentam o ensino e a profissão de Psicologia. Como percurso metodológico, foi feito um levantamento de dados na plataforma digital do e-MEC, no ano de 2019, a partir dos quais verificou-se a existência de 693 cursos de graduação em Psicologia cadastrados no país. Além disso, foi feita a análise de documentos legais referentes ao ensino de psicologia, em especial aqueles vinculados ao currículo mínimo e às DCNs. Tal análise contou com o auxílio de discussões teóricas da literatura acerca da formação em Psicologia no Brasil. As análises foram sistematizadas a partir de cinco eixos: no primeiro, abordamos o processo de normatização da profissão e da formação em Psicologia; no segundo, as críticas acerca desse processo e as propostas de mudanças curriculares; nos terceiro e quarto eixos, revisitamos os debates referentes às DCNs até o presente momento; e no quinto e último, apresentamos os resultados do mapeamento realizado. Notamos, assim, que a maioria dos cursos funcionam no eixo Sudeste-Sul, e que dentro da quantidade amostral escolhida, 123 Instituições de Ensino Superior (IES) possuem o componente curricular com a denominação de “História da Psicologia”. Verificamos, também, que existe um padrão na forma como as matrizes curriculares são estruturadas e seus componentes curriculares, ofertados. Por fim, retornamos à discussão de alguns pontos, como: a presença frequente de História da Psicologia nos currículos dos cursos de graduação em Psicologia e a importância que essa presença representa para uma formação crítica da psicóloga, visto estar, esse componente curricular, manifesto desde a proposta do primeiro curso de graduação em Psicologia – muito antes de a Psicologia ser considerada uma profissão e um campo de ensino em termos oficiais.
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Este artigo descreve e analisa relações entre assistência, cuidado em saúde e benemerência aos doentes internados com lepra no Sanatório São Julião, entre os anos de 1941 e 1986. Este é um estudo historiográfico que analisou fontes primárias textuais e orais a partir de aportes da Análise Documental e da História Oral. Os resultados indicam, de maneira geral, que dois cenários se destacaram, por um lado, pelo cuidado com a população sadia, mantendo aquelas pessoas internadas na ausência de tratamento, por outro, no controle dos corpos dos internos que aparecia ora como prática de cuidado em saúde do corpo, por vezes pela produção de práticas assistencialistas. Assim, nota-se que a articulação daquelas práticas pode ser compreendida como estratégias de esquadrinhamento da população sadia e não sadia, de modo a marcar os lugares em que se circula e quem pode circular, portanto, não propriamente como curativas de enfermidade, em si mesmas.
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A conformação da Psicologia Clínica ocorreu por meio de tensionamentos produzidos por diferentes profissionais, envolvidos nas práxis da clínica psi, no país. Parte desses embates ressaltam a utilização de métodos e técnicas psicológicas, para solução de problemas de ajustamento, no campo Psi - Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise. Esta pesquisa objetiva identificar e caracterizar tensionamentos no campo psi referentes à Psicologia Clínica a partir de publicações de um de seus personagens, Elso Arruda. Metodologicamente, essa é uma investigação sociobibliométrica, que se insere na interseção entre a História Social da Psicologia, a História da Psiquiatria e a História da Psicanálise. Para a análise do conteúdo das fontes primárias utilizamos o software Iramuteq. Os resultados sugerem que circularam, entre os saberes psi, discursos pró-reforma psiquiátrica, na década de 1960. As fontes indicam ainda uma mudança da noção de diagnóstico na clínica psi, norteada por uma proposta antipsiquiátrica e antidiagnóstica, bem como o uso da psicologia, da psicanálise e da fenomenologia existencial para compreender o indivíduo.
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Em meados do século XX, a Psicologia Clínica, e, particularmente, a Psicoterapia, se fortaleceram como práticas da Psicologia no Brasil. Registros históricos desvelam aspectos da conformação de tal campo, sobretudo pela presença de profissionais de diferentes áreas do Campo Psi – e.g., psiquiatras, psicólogos e psicanalistas –, os quais estariam envolvidos em controvérsias relativas aos aspectos legais, metodológicos, de aplicação, no intuito de solucionar problemas de ajustamentos. Essa pesquisa propõe a construção de uma narrativa historiográfica do campo Psi a partir de um de seus atores, a saber, Elso Arruda. Acreditamos que analisar os debates no campo Psi, sobretudo da personagem, propicia-nos revelar aspectos da conformação da Psicologia Clínica, no país. Metodologicamente, essa é uma investigação historiográfica, elaborada a partir do entroncamento da História, da História das Ciências e da História da Psicologia, com uso de estratégias do gênero biográfico e biografia contextualizada, por meio do emprego de ferramentas para ler os dados e os conceitos advindas da História das Ciências, da compreensão de circulação dos fatos científicos de Bruno Latour e controvérsias, advindas dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia – ESTC. Foram utilizados ainda, aspectos da pesquisa teórico-conceitual e, por fim, lançamos mão da História Oral. Para análise e interpretação das fontes primárias foi proposta a ideia de análise documental e o uso do software Iramuteq. Utilizamos como fontes primárias textuais produções de autoria de Elso Arruda publicadas nos três períodos de veiculação dos Arquivos Brasileiros de Psicologia; 06 livros de autoria de personagem, configurando o recorte temporal de 1940 a 1985; e acessamos o acervo digital brasileiro – Hemeroteca; além de fontes orais por meio da entrevista de cinco ex-alunos e colegas de trabalho de Elso Arruda quando diretor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. As fontes sinalizam sua circulação no campo dos saberes Psi. Sugeriram ainda que já havia rumores sobre o anseio de uma reforma psiquiátrica na década de 1960 no Brasil. Parte desses debates apresentava uma discussão no campo da Psicologia Clínica como o eixo de intersecção entre os saberes Psi, a saber, Psiquiatria e Psicologia. Nessa perspectiva, as fontes sugerem influências das propostas da antipsiquiatria e do antidiagnóstico nos debates entre os saberes Psi, como também o uso da Antropologia e da Fenomenologia Existencial para “ler” o sujeito “desajustado”. Sinalizam também controvérsias entre dois modelos psiquiátricos produzidos da tensão entre psiquiatras que nominavam de “modernos”, na contramão dos que seriam “clássicos”, denominados por Arruda como modelo “psiquiátrico clássico” e modelo “moderna psiquiatria”. Identificamos um alargamento do modelo “psiquiátrico clássico” por parte de alguns psiquiatras envolvidos com o campo das práticas da clínica Psi, ao absorver aspectos psicológicos (subjetividade) e sociais. Tal alargamento produziu controvérsias também no campo da assistência à saúde mental, com foco na prevenção, reabilitação e promoção. Identificar essa expansão sinalizou aspectos da conformação da Psicologia Clínica como campo de atuação operando de forma auxiliar da atuação do psiquiatra, oferecendo métodos e técnicas psicológicas para diagnósticos e tratamento psiquiátricos. Por fim, a pesquisa permitiu inferir que a Psicologia clínica teve sua conformação relacionada diretamente com a práxis clínica da Psiquiatria.
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Ano de publicação
- Entre 2000 e 2026 (99)
- Desconhecido (1)