A sua pesquisa

Em autores ou colaboradores
  • O método clínico piagetiano apresentou-se como uma nova forma de conduzir pesquisas experimentais com crianças no estudo da inteligência. Para investigar suas origens, conduziu-se um resgate histórico desde a adolescência de Piaget, passando pelos seus dias em Zurique até sua temporada na Salpêtrière, visando a resgatar as múltiplas condições de produção do método piagetiano, confrontando os dados biográficos, bibliográficos, autobiográficos e fontes primárias. Ao fim, é proposto um modelo de entendimento de como este autor produziu sua metodologia, fundamentado em três hipóteses que se complementam, a saber, o contato com o teste de Burt, a metodologia piagetiana de pesquisa em malacologia e o método psiquiátrico francês. Conclui-se que o método não é tributário efetivamente de nenhum modelo isoladamente, mas se constitui na assimilação de ideias e acomodações da prática, o que aproxima a origem do método à Teoria da Equilibração, colocando o método clínico como uma espécie de autobiografia intelectual.

  • A expressão psicologia francófona designa uma série de saberes e práticas psicológicas que foram desenvolvidas em países cujo idioma principal é o francês, ou por autores que desenvolveram suas ideias neste idioma. Sua conceituação, apesar de bastante ampla, agrupa muitos atores que foram relevantes para a constituição da psicologia no Brasil, através de diversos meios. Contata-se, contudo, que poucos materiais em português foram publicados no Brasil após os anos 1950 sobre vários dos atores da psicologia francófona, de modo que permanecem, em diferentes graus, desconhecidos dos profissionais da psicologia e, muitas vezes, até mesmo dos historiadores. Este trabalho pretende auxiliar no preenchimento desta lacuna ao elaborar biografias de cinco autores francófonos do final do século XIX, importantes para a compreensão da psicologia brasileira: Paul Janet, Théodule Ribot, Henri Beaunis, Alfred Binet e Pierre Janet. Conclui-se que o conceito geral é bastante plural, de modo que as recepções e apropriações destes atores no Brasil ainda estão por ser melhor analisados.

  • O presente estudo tem por objetivo principal desenvolver uma narrativa que mostre a influência do teste de inteligência de Cyril Burt na criação do método clínico de Jean Piaget, auxiliando na composição de conhecimentos deste assunto pouco estudado. Piaget estudou em Neuchâtel, Zurique e Paris antes de integrar o Instituto Jean-Jacques Rousseau em Genebra, no qual lançou seus primeiros livros, que o levaram a lugar de destaque na psicologia mundial. O presente trabalho faz uma comparação entre os dados disponíveis na literatura para recompor essa trajetória até o ponto decisivo de mudança no trabalho experimental de Piaget, que aconteceu em Paris, onde estudou o teste de inteligência de Cyril Burt. Conhecer os elementos da criação do Método Clínico é importante para compreender os fundamentos ontológicos e epistemológicos dos dados gerados por ele e suas consequências teóricas. Do contato com esse teste, Piaget sofreu três impactos determinantes para sua vida e obra. A primeira está ligada à tradução do teste, que ressaltou questões sobre parte/todo na linguagem das crianças. O segundo é a possibilidade de Piaget de observar dezenas de amostras do raciocínio explicado das crianças por elas mesmas, o que permitiu o ingresso das técnicas de observação da zoologia em sua psicologia. Por fim, as possibilidades de modificação e adaptação do teste, sua primeira experiência original em psicologia experimental, técnica que carregaria sua vida toda na constituição de seu Método Clínico.

  • O Ikigai, enquanto fenômeno cultural, corporifica uma série de questões que permitem uma análise sobre a própria ciência psicológica, levantando questionamentos ainda abertos que afetam diretamente o saber e as práticas da psicologia contemporânea. Nascido a partir dos trabalhos de Mieko Kamiya, mas situado em um locus construído em um passado tradicional e reapresentado como achado ou descoberta, o Ikigai aparece como conceito psicológico no Japão e é inserido nos sistemas da Psicologia Ocidental através das ciências médicas, atrelado à longevidade dos moradores das ilhas de Okinawa. Mas é no Coaching que o Ikigai ganha popularidade e opera com maior potência, enquanto fenômeno mundial capaz de conferir felicidade, saúde, longevidade e significado às vidas daqueles que o encontram ou desenvolvem. Postas as dificuldades relativas à tradução e conhecidas as controvérsias que pairam sobre o Ikigai enquanto fenômeno da psicologia, partimos por uma análise baseada nos pressupostos de Bruno Latour sobre a tradução de conceitos em diferentes sistemas para entender as contribuições dos diversos atores para o cenário que o Ikigai ocupa nos discursos atuais, seja na psicologia ou no Coach, fenômeno que busca se assemelhar aos processos psicoterapêuticos antes restritos aos consultórios psicológicos. Avaliou-se as contribuições da Logoterapia de Viktor Frankl e da Psicologia Positiva proposta por Martin Seligman no corpus discursivo do Ikigai atual. Esta multiplicidade de versões também implica em uma grande variedade de formas de mobilização do mundo, a depender dos vínculos e nós da versão abordada. Conclui-se que há diversas versões do Ikigai em conflito, tangenciando principalmente o campo da Psicologia. Estudar as origens e desenvolvimento do Ikigai, portanto, é voltar-se não apenas para os processos de construção da Psicologia enquanto campo de saber e prática, mas para a complexa rede de saberes que influem em práticas tão díspares quanto seus atores. Por isso, apesar de extensa catalogação de documentos sobre o Ikigai, sugerimos a produção de mais material sobre esse conceito que tem gerado grande impacto na sociedade acadêmica e leiga, servindo de base para outra rede tão ou mais complexa de discursos e práticas.

Última atualização da base de dados: 02/07/2026 00:03 (UTC)