A sua pesquisa

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  • O propósito deste trabalho é contribuir para o conhecimento da História e da Memória da Psicologia no mundo do trabalho, buscando relações entre o processo de industrialização brasileira e a Psicologia. A seleção deste objeto de estudo decorreu da minha posição, que reconhece a Psicologia como fruto da história enquanto constituinte da história, na medida em que exprime o homem, seus valores, seus vínculos e suas relações, expressando o que se constrói entre o coletivo e a subjetividade. A escolha do campo da Psicologia no mundo do trabalho vem da necessidade de compreender a constituição desta Psicologia e o processo de modernização brasileira. Para a realização deste objetivo, delimitei os três estados – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – como campo de pesquisa, e tomei como objeto de estudo arqueológico-histórico quatro instituições: o Instituto de Organização Racional do Trabalho – IDORT (1931), em São Paulo, a primeira instituição psicométrica a se constituir relacionada ao aceleramento da industrialização; o Instituto de Seleção e Orientação Profissional – o ISOP (1947), no Rio de Janeiro, criado pela FGV (1944) e que, mais tarde, tornou-se o primeiro curso de pós-graduação em Psicologia; o Serviço de Orientação e Seleção Profissional – o SOSP (1949), em Minas Gerais, sendo o primeiro serviço de Psicometria criado pelo Estado (atualmente o CENPA – UEMG); e o Departamento de Orientação e Treinamento do Banco da Lavoura de Minas Gerais (Banco Real) – o DOT (1958), responsável pela chegada da Psicologia Humanista ao processo de modernização industrial. Como metodologia principal, usei três autores: Michel Foucault (1926-1984), Pierre Bourdieu (1930-2002) e Walter Benjamim (1892-1940), procurando relacioná-los, em especial, na análise dos relatórios de trabalho de psicologistas e psicólogos. Três perguntas acompanharam todo o processo de pesquisa, buscando evidenciar qual o conceito de Psicologia, de Trabalho e de Saúde que estas Psicologias desenvolveram. A tese principal, que mais adiante estará sendo apresentada, é a de que, enquanto a Psicologia esteve centrada na psicometria, ela permaneceu uma ciência comportamental, que visava treinar eficiência, tomando o trabalho como produção de lucro e a saúde como resistência ao cansaço. E que a Psicologia, ao passar da psicometria para a sociometria, flexibilizou a aridez daquela, porém continuando no mesmo paradigma, apesar de passar a ser humanista. Conceitua o trabalho como um processo de realização humana, em que conflitos velados e explícitos estão presentes, vendo a saúde como uma conquista grupal e o trabalhador sempre em relação. O Psicodrama foi o primeiro a propor o grupo como palco de protagonização dos trabalhadores, como lugar das pequenas revoluções geradas nas intersubjetividades – a possibilidade revolucionária para o trabalhador. Apesar desta inovação, a Psicologia se mantém em relação de subordinação com o Capital. Em síntese, o trabalho aqui apresentado é uma reflexão que pretende promover debates sobre a Psicologia: suas potencialidades de construção e destruição, seus saberes e poderes nas relações com a modernidade. Também espero que esta pesquisa lance luz à urgência de trabalharmos esta ciência como uma produção histórica, buscando (re)visitar o passado em busca do futuro.

Última atualização da base de dados: 16/07/2026 00:05 (UTC)

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