A sua pesquisa
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As primeiras inserções de atividades psicológicas em hospitais gerais no Brasil datam da década de 1950. No entanto, foi nas últimas duas décadas que o interesse pela Psicologia Hospitalar cresceu significativamente, chegando a organizar-se como uma especialidade regulamentada pelo Conselho Federal de Psicologia em 2000. Apesar de tal prática ser bastante documentada no centro do país - local por onde os psicólogos começaram a desenvolver as primeiras atividades em hospitais gerais, a história desenvolvida no Sul do país carece de maiores registros. Nesse sentido, o objetivo específico deste estudo é resgatar a história das atividades psicológicas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e reunir dados para a análise da expansão da psicologia no momento em que ingressa em novos ambientes que não os tradicionais: clínica, escola e indústria. O período demarcado vai de 1971, com a abertura do Hospital, até 1986, com a estruturação de um Serviço de Psicologia que reuniu as psicólogas da instituição sob uma mesma chefia. Para a coleta e análise dos dados foi utilizado o método de História Oral, devido à escassez de registros escritos sobre a constituição e o desenvolvimento do serviço em questão. Trata-se de um estudo qualitativo a partir do qual foi construída uma narrativa histórica. Foram entrevistadas 10 profissionais que desenvolveram atividades na área da psicologia em diferentes momentos do período considerado. Como resultados, constam na narrativa que a Psicologia entrou no HCPA pela via Organizacional, para realizar a seleção dos funcionários do hospital. Somente alguns anos mais tarde a Psicologia Clínica foi incorporada à instituição, via a unidade de Pediatria. Discute-se que as destituições sofridas pelo setor organizacional, e o momento histórico vivido pela Psicologia, foram alguns dos motivos da criação de um Serviço independente, pois a reunião oficial das profissionais forneceria maior autonomia e segurança para as psicólogas na instituição. Além disso, a criação de Serviços de Psicologia em hospitais serviu como fator de consolidação da Psicologia Hospitalar no Brasil.
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O estudo da personalidade na Psicologia percorre por diversos autores que produziram pesquisas, utilizando técnicas e métodos para desvendar a estrutura do mundo psíquico. Buscar conhecer o indivíduo na sua característica própria parece ter sido um dos pontos importantes da Educação e da Psicologia entre os séculos XIX e XX, principalmente para o psicólogo e psiquiatra russo Lazurski, que investiu em estudos da personalidade, por meio dos modelos de observação, experimentação e de classificação. No Brasil é possível encontrar a influência do trabalho de Lazurski na obra de Helena Antipoff, psicóloga e educadora russa que chegou ao Brasil em 1929, para trabalhar no estado de Minas Gerais, em um período de reformas educacionais do país pautadas pelo escolanovismo. Utilizando sua experiência na Rússia, tanto da época imperial quanto dos momentos iniciais da União Soviética, Antipoff investiu em pesquisas sobre a avaliação psicológica e trouxe o trabalho de Lazurski como referência para a investigação da personalidade no contexto da educação mineira. Paralelamente, Lazurski também é encontrado em publicações no estado do Rio de Janeiro com a tradução de uma de suas obras, dentre outros materiais que o citam como orientação para a classificação da personalidade. Assim, a presente tese foi elaborada por meio de uma pesquisa documental, com o objetivo de realizar uma investigação sobre a apropriação da obra de Lazurski na Psicologia e na Educação do início do século XX, em Minas Gerais, a partir do trabalho de Antipoff e dos documentos encontrados no Rio de Janeiro. Esta pesquisa oferece a chance de debater, segundo a psicologia da época, a importância dos modelos experimentais na Psicologia, principalmente no que tange a um determinado tipo de entendimento do paradigma científico para os estudos da personalidade. É nesse contexto que a História da Psicologia retoma concepções que podem auxiliar na constituição do indivíduo e do seu mundo.
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Esta pesquisa histórica descreve o processo de institucionalização e de circulação de um projeto de Psicologia da Educação entre o Pontifício Ateneu Salesiano, em Turim, e a Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, em São João del-Rei, entre 1938 e 1959. Para realizá-la, foram recolhidos documentos no Centro Salesiano de Documentação e Pesquisa, em Barbacena, e no Centro de Documentação e Pesquisa em História da Psicologia, em São João del-Rei. Dentre essas fontes, destacam-se publicações pontifícias, trabalhos acadêmicos publicados pela revista Salesianum, documentos administrativos das instituições mencionadas, documentos de personagens que participaram do processo histórico e fotografias. O arquivo foi analisado em conformidade com a história social do conhecimento e procurou evidenciar informações cronológicas e aspectos sociais e teóricos que permitissem caracterizar a constituição de uma proposta científica de Psicologia da Educação e as estratégias empreendidas para sua circulação. Entende-se que a institucionalização da psicologia entre os salesianos da Itália ocorreu mediante a criação do Instituto de Psicologia Experimental e do Instituto Superior de Pedagogia do Pontifício Ateneu Salesiano. Esses institutos atendiam a exortações pontifícias de valorização do neotomismo, bem como respondiam ao desenvolvimento de psicologias científicas na Itália e à necessidade de formação acadêmica de salesianos que atuariam em ambientes educativos. Os intelectuais desse grupo de conhecimento defendiam certas concepções de educação, pedagogia e psicologia e, ao delinearem um projeto científico aplicado às questões escolares, as disseminavam em diferentes contextos. Para tanto, empreendiam estratégias de circulação de conhecimento a partir do Pontifício Ateneu Salesiano, tais como a participação em eventos acadêmicos, as práticas de ensino, as pesquisas e as publicações especializadas. Em São João del-Rei, a fundação da Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras aconteceu em meio a repercussões locais dos debates entre intelectuais católicos e escolanovistas a respeito da aplicação de conhecimento científico para a resolução de problemas escolares. Esse contexto favoreceu a criação do Instituto de Psicologia e Pedagogia a partir do Laboratório de Psicologia Experimental, do Centro de Estudos Pedagógicos e do Serviço de Orientação Educacional e Profissional. Tal como acontecia nos institutos turineses, o grupo de conhecimento presente na Faculdade Dom Bosco empreendeu um conjunto de estratégias de circulação da psicologia, dentre as quais se destacam a promoção de eventos especializados e as atividades de extensão universitária. Durante o período investigado, os salesianos e os personagens a eles ligados se consolidaram como um grupo de conhecimento. Inseridos em uma rede de circulação de psicologia estabelecida entre institutos católicos, fundaram entidades que atuaram como zonas de contato entre o conhecimento produzido internacionalmente e as demandas locais de aplicação da psicologia para a educação da juventude. Eles também repercutiram debates a propósito da profissionalização da psicologia e da orientação educacional e procuraram abordar a juventude de maneira integral. Este trabalho amplia a produção acadêmica em História da Psicologia ao estudar a institucionalização e a circulação de um projeto de Psicologia da Educação aplicado à escolarização da juventude, explicitando as relações entre intelectuais católicos italianos e brasileiros ao longo do período investigado.
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Tese dividida em quatro estudos, cujo eixo central é o entendimento de que toda Psicologia é local e expressa em seu respectivo contexto de desenvolvimento uma hibridização que depende dos seus processos históricos de recepção e circulação. Aplicou-se esse entendimento ao argumento de que a Psicologia Humanista de Carl Rogers, em seu desenvolvimento nos EUA e no Brasil, foi sensível a esses processos, havendo especificidades que os distinguem em cada localidade. A perspectiva que se escolheu para investigar tal argumento ocorreu mediante as relações da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) com a Fenomenologia. Ressalta-se que todos os estudos são independentes, entretanto cada qual versa historicamente essa perspectiva ao seu modo. O primeiro estudo tem um cunho teórico sobre a noção de recepção e circulação e suas implicações para pesquisas históricas em Psicologia. O segundo estudo se inspira na abordagem historiográfica de Josef Broek para analisar as diversas relações que Rogers estabeleceu com a Fenomenologia. Para isso, o estudo 2 se divide em duas análises: a primeira levanta o número de filósofos citados e referenciados por Rogers ao longo de suas obras; a segunda examina sete momentos relacionais de Rogers com o movimento de recepção da Fenomenologia pela Psicologia estadunidense, nas décadas de 1940- 1960. Rogers, efetivamente, somente citou e referenciou 1 fenomenólogo, Martin Heidegger. A Fenomenologia que Rogers menciona não é a filosófica, que ele viu com ressalvas, mas é um paradigma estadunidense de ciência empírica e de estudos da personalidade. O terceiro estudo, novamente inspirado pela historiografia de Broek, divide os momentos de recepção da Psicologia Humanista de Rogers no Brasil, de 1945 a 1990, analisa as obras rogerianas traduzidas para o português brasileiro, nos anos de 1970-2000, e realiza um levantamento bibliográfico para entender o tipo de ACP que circula em periódicos brasileiros, de 2002 até 2014. Os resultados do estudo 3 apontam que: a ACP de orientação fenomenológica se estabeleceu em um período de crise, no final da década de 1980; atualmente, há uma escassez de produção de artigos sobre Rogers; existe uma hegemonia de produções teóricas e clínicas; a ACP brasileira se distingue da ACP de Roger por concretizar uma relação com a filosofia fenomenológica europeia em suas discussões teóricas. O quarto estudo reflete, a recepção e circulação da noção rogeriana de consciência na ACP brasileira de linhagem fenomenológica. Aponta-se para o cenário brasileiro, onde existe uma tensão epistemológica em aproximar da Psicologia Humanista de Rogers a Fenomenologia, pois a ideia rogeriana de consciência procede de uma base pragmatista-funcionalista que difere do esteio fenomenológico; entretanto, historicamente, é possível entender essa relação em termos de um desenvolvimento local. No transcurso dos estudos, concluiu-se que há uma série de potencialidades teórico-conceituais na aproximação da ACP com a Fenomenologia. A atitude historiográfica sobre essa relação possui, em seu cerne, um aspecto compreensivo as dimensões locais que afetam historicamente a Psicologia Humanista de Rogers e a ACP brasileira.
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- Entre 1900 e 1999 (50)
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Entre 2000 e 2026
(442)
- Entre 2000 e 2009 (131)
- Entre 2010 e 2019 (211)
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