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A pesquisa histórica sobre Psicologia Educacional e Escolar no Brasil ainda é insipiente ante a historiografia de outros campos do conhecimento psicológico. Abordagens biográficas, por exemplo, são ainda mais escassas. A fim de contribuir para suprir a lacuna, este artigo apresenta elementos históricos da trajetória de Eulália Henriques Maimone: professora, pioneira e protagonista na área de Psicologia Educacional e Escolar em Minas Gerais (Triângulo Mineiro), com seu trabalho na Universidade Federal de Uberlândia. O estudo recorreu à entrevista do tipo "história de vida" - própria da metodologia da História Oral. A entrevistada foi a primeira formadora de psicólogos em Psicologia Educacional e Escolar, além de fundar a representação estadual da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional na região. Os primeiros anos de atuação, os desafios e os enfrentamentos por que ela passou ilustram o reconhecimento e a criação de espaços de discussão e aprimoramento dessa área da psicologia.
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No Brasil dos séculos XIX e XX, o discurso das ciências psi referente a gênero e sexualidade introduziram na sociedade a ideia de que as expressões, identidades de gênero e orientações sexuais divergentes da cis-heteronormatividade seriam passíveis de transformação e cura. Na atualidade, é possível observar este discurso no fenômeno da “cura gay” e das “terapias de conversão religiosa” em crescente visibilidade no país. O objetivo deste artigo é descrever os itinerários realizados pelo discurso patologizante das ciências psi em uma incursão analítica histórica, assim como a apropriação e uso de parte deste por políticos e religiosos cristãos. Através das contribuições da Análise do Discurso Foucaultiana, buscamos tornar visíveis a materialidade e as relações saber-poder circunscritas em torno do fenômeno da “cura gay” e “terapias de conversão religiosa”, demarcando que interessa à Psicologia a compreensão das consequências contemporâneas de um discurso patologizante produzido historicamente pelas ciências psi.
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Pierre Janet (1859-1947) foi bastante debatido no início do século XX. A historiografia valoriza suas contribuições para a psicopatologia e, em menor grau, seu debate com Freud, com pouco espaço à sua Psicologia da Conduta, mencionada e discutida por personagens importantes. O presente trabalho recupera fontes primárias e secundárias, apresentando características do seu projeto psicológico. O pensamento psicológico janetiano tem caráter genético e funcionalista, apresentando as partes do funcionamento da mente como recapitulação da história evolutiva da espécie humana. O centro de sua teoria são as condutas, ações que incorporam elementos da vida mental, divididas em animais, intelectuais, médias e superiores. Outro conceito são as tendências, disposição do organismo vivo a efetuar uma ação determinada. Apesar da influência de suas ideias em teorias psicológicas, sua falta de interesse em fundar uma escola e atrair discípulos, junto de seu debate com Freud, levara as ideias de Janet a perpetuarem principalmente por via indireta.
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A pesquisa analisa o desenvolvimento das definições de Psicologia no seio de diferentes áreas de estudo na cultura brasileira do século XIX (Filosofia, Medicina, Pedagogia, Teologia Moral). A pesquisa é baseada na leitura de documentos históricos (por exemplo, currículos e manuais utilizados em importantes escolas brasileiras do século XIX). Nos documentos aparece uma grande quantidade de palavras e expressões para denominar o universo dos conhecimentos psicológicos. Essa diversidade revela a dispersão dos conhecimentos psicológicos em diferentes áreas do saber da época. Ao mesmo tempo, aparece nos documentos a necessidade de desenvolver novos recursos conceituais e lingüísticos para definir o dominínio dos estudos psicológicos, fato esse que representa um sinal claro da tentativa de tornar este domínio uma disciplina autônoma.
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O artigo descreve a contribuição de um médico iluminista, Francisco de Mello Franco (1757-1822), Ã evolução dos conhecimentos psicológicos no âmbito da cultura brasileira do fim do período colonial. De maneira específica, são analisadas algumas obras desse autor: o Tratado sobre a Educação Física dos Meninos (1790), a Medicina Theológica(1794) e os Elementos de Hygiene (1813). Nelas, Mello Franco, inspirando-se na Medicina francesa do século XVIII, tenta propor uma Ciência do homem como um todo - incluindo também os aspectos psicológicos - e uma visão materialista do mesmo.
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O artigo descreve e analisa os conhecimentos psicológicos elaborados e transmitidos na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, no século XIX. Os documentos utilizados para a pesquisa säo dissertaçöes, teses, artigos e livros produzidos por alunos e docentes da Faculdade, na época considerada. A leitura desse material evidencia o significado e a relevância que o estudo da subjetividade humana assume nesse contexto. De forma específica, säo discutidas as definiçöes atribuídas a essa área de interesse pelos autores e os métodos propostos seja para o estudo dos fenômenos psíquicos, seja para a terapia dos fenômenos psicopatológicos
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O artigo apresenta a contribuição de Biagio Pelacani da Parma (1347-1416), filósofo, astrólogo e matemático do século XVI, no âmbito da História das Idéias Psicológicas. Biagio, que foi docente nas mais prestigiosas universidades italianas da época, escreveu vários tratados, entre os quais um comentário ao texto aristotélico "De Anima" (1385) e as "Quaestiones de Optica" (1390). O interesse desses dois textos para a História das Idéias Psicológicas está no fato do autor propor neles uma visão de homem e um esboço de Psicologia inspiradas num racionalismo materialista e fundadas numa concepção astrológica determinista. Nessa abordagem, a Psicologia é considerada como parte do domínio da Filosofia Natural e não da Ética ou da Teologia.
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O artigo analisa os projetos legislativos apresentados por intelectuais e políticos brasileiros do século XIX propondo a inserção da "Psychologia" (ou de conhecimentos psicológicos) nos currículos escolares de várias instituições educacionais do País. Alguns fatores característicos emergem na leitura de tais documentos: a falta de realismo que permeia muitas propostas legislativas, a tendência à imitação acrítica de modelos estrangeiros; a influência determinante das mudanças ideológicas sobre a organização dos currículos de estudos. Tais aspectos marcam a introdução da psicologia como disciplina institucional, no âmbito do sistema escolar brasileiro do século XIX.
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