A sua pesquisa
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Freud é frequentemente apontado como figura responsável pela “descoberta” ou “criação” do Inconsciente. Debruçando-se sobre o status questione da psicologia e filosofia no desenrolar e precedentes do século XIX nos países germanófonos, percebese que a questão do inconsciente é premente no interior de certos debates. O presente trabalho pretende estabelecer revisão bibliográfica panorâmica sobre os modos em que oconceito de inconsciente era utilizado nesse período, apontando diversas tradições nas quais o aparecimento da noção de inconsciente surge com propósitos distintos. A partir disso discute-se a noção de inconsciente em Freud, aspectos de sua concepção de ciência e o modo no qual sua obra se insere nesse contexto mais amplo, anterior, de discussão acerca do inconsciente. Identifica-se que a noção de inconsciente que perpassa as discussões no século XIX alemão são um desenvolvimento filosófico da polêmica entre determinismo e liberdade, com o inconsciente assumindo uma dessas duas posições: a de garantir a possibilidade de uma ciência determinista da psique ou a de garantir as condições de possibilidade para se afirmar a autonomia do sujeito. O presente trabalho analisa a teorização freudiana sobre o inconsciente, tendo esse contexto como panorama. Acreditamos ser importante para se discutir o lugar de Freud na história do desenvolvimento do conceito de inconsciente e o papel que este desempenha em sua obra
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Propomos construir uma cartografia do Sindicato dos Psicólogos do Estado do Rio de Janeiro, a partir das narrativas de pessoas que tiveram e/ou têm vínculos com este estabelecimento, além de pesquisa documental. As entrevistas foram realizadas com membros da antiga Associação Profissional de Psicólogos do Rio de Janeiro (1977) até os dias atuais (2010). Buscamos problematizar as forças macro e micropolíticas que atravessam este estabelecimento que “representa” os psicólogos em relação às questões trabalhistas e tem a função de “lutar por melhores condições de vida e de trabalho”. Pretendemos pensar este estabelecimento no qual perpassam várias forças constituintes e estão presentes diferentes instituições, acompanhando as implicações sócio-históricas e políticas por meio das linhas duras e flexíveis que participaram da sua formação (1962), do seu fechamento (1991) e da sua reabertura (1995). O objetivo é contribuir para a história da psicologia pensando algumas políticas e algumas práticas do Estado capitalista no contemporâneo que atravessam este estabelecimento. Além disso, problematiza-se a função que o psicólogo ocupa nesta engrenagem e como vai se articulando perante os entremeios de sua prática através da trajetória histórica de um de seus “representantes”. Foi utilizada a História Oral como metodologia e algumas ferramentas da Análise Institucional e da Filosofia da Diferença ao colocar em análise nossa implicação já que entendemos que o sindicato é também uma modulação de nossa profissão.
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Esta dissertação de mestrado teve como objetivo estudar o conceito de técnica nos trabalhos do psicólogo russo, Lev Semionovitch Vigotski (1896-1934), em obras publicadas entre os anos de 1924 e 1934, elucidando as relações que a técnica estabelece com o processo de desenvolvimento humano, seja por meio da arte, da relação com os meios de produção, da elaboração de técnicas externas (uso de ferramentas) direcionadas à ampliação da relação humana com o meio ambiente ou as técnicas internas (emprego de signos) direcionadas ao controle e ao aperfeiçoamento dos processos psíquicos. A totalidade das obras analisadas apresentam os atributos que possibilitam o que nós conceituamos por “Homo technicus vigotskiano”, a dimensão da técnica expressa de modo concreto na constituição da totalidade humana e no seu respectivo processo histórico de desenvolvimento. Tem-se em Vigotski uma “psicologia da técnica” alinhada aos preceitos materialistas e implicada na transformação da realidade concreta, alçando gradativamente o homem à novos modos de compreender o mundo e a sua própria existência.
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O objetivo desta pesquisa foi o de envestigar, em publicações realizadas por pesquisadores da Psicologia Sócio-Histórica e Educacional, quais as contribuições da Psicologia Sócio-Histórica a essa área. A pesquisa, de cunho bibliográfico, delimita como corpus de análise as produções do período de 2000 a 2005 de duas associações representativas da pesquisa na Psicologia Escolar/Educacional: a ANPEd e a ANPEPP. Constituem-se como objeto deste estudo, os grupos que têm assumido a fundamentação teórica da abordagem Sócio-Histórica, em especial a de Vygotsky e seus colaboradores, Luria e Leontiev. É do interesse desta pesquisa responder as seguintes perguntas norteadoras: a0 Como a Psicologia Sócio-Histórica é entendida nos vários trabalhos de pesquisa apresentados? b) Como a Psicologia Sócio-Histórica se articula com a análise de processos educacionais, quer nas pesquisas de cunho teórico quer nas pesquisas de campo? O levantamento bibliográfico identificou resumos e trabalhos na íntegra. A análise de conteúdo incidiu sobre onze textos completos na ANPEd e sobre vinte e um resumos da ANPEPP. Os resultados mostram uma significativa presença da abordagem Sócio-Histórica evidenciada pelo número de trabalhos, pelos autores, pela explicitação dos pressupostos teóricos e epistemológicos da abordagem. Mostra-se também a maneira explícita como os fenômenos psicológicos se articulam aos processos educacionais, evidenciando uma tendência de não separação entre a teoria e a prática e entre a Psicologia e a Educação. Palavras- chave: Psicologia Sócio-Histórica; Psicologia Escolar; Psicologia Educacional; ANPEd; ANPEPP
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Nesta pesquisa, construo uma narrativa sobre o laboratório de psicologia da Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, em São João del-Rei, entre 1953 e 1971, descrevendo-o como dispositivo. O dispositivo é uma rede composta de elementos discursivos e não-discursivos com função estratégica na delimitação de um campo do conhecimento, é um espaço de produção de discursos e gerador de redes sociais. O arquivo investigado é construído com correspondências, fotografias, registros contábeis, relatórios, livros de crônicas, laudos, aparelhos psicológicos e seus manuais. As fontes foram recolhidas no Centro de Documentação e Pesquisa em História da Psicologia, em São João del-Rei, e no Centro Salesiano de Documentação e Pesquisa, em Barbacena, Minas Gerais. Na construção da narrativa, atento-me aos contextos de partida e de chegada dos aparelhos que compuseram o laboratório são-joanense. O contexto de partida é marcado pela institucionalização e difusão da psicologia experimental e pela emissão de documentos pontifícios que valorizam seu estudo em faculdades católicas. O contexto de chegada se caracteriza, no cenário nacional, pela aplicação da psicologia para a orientação e resolução de problemas de ordem psicopedagógica e, localmente, pela ação salesiana e pela aspiração de modernidade presente na cidade mineira. Os aparelhos foram adquiridos de instituições católicas da Itália e representam a psicologia experimental de tradição fisiológica, dedicada à percepção e à sensação. No laboratório são-joanense, a utilização desses aparelhos exemplifica a aplicação de um projeto científico de psicologia para a resolução de problemas escolares, a seleção profissional, a avaliação psicológica e os atendimentos clínicos individuais. Narro os antecedentes e o processo de compra e instalação do laboratório são-joanense: em 1955, a instalação do laboratório dinamizou os serviços de psicologia da faculdade salesiana. Em 1958, possibilitou a criação do Instituto de Psicologia e Pedagogia. Descrevo as denominações atribuídas a ele, os espaços ocupados, as finanças, as equipes e as redes sociais que perpassaram o dispositivo, ao longo do anos 1960. Em 1971, o laboratório é declarado obsoleto em correspondências internas, sobrepujados pela influência do referencial teórico estadunidense, fundamentado na teoria do comportamento operante. Sugiro a realização de novos estudos, para conhecer a história do laboratório a partir dos anos 1970 e aprofundar temáticas não focalizadas neste trabalho.
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O presente trabalho teve como objetivo investigar a história da Psicologia entre as décadas de 1930 e 1960 em São Paulo a partir da construção da trajetória profissional de Gioconda Mussolini. A metodologia consistiu na realização de entrevistas e conversas com participantes que, na época, foram estudantes e docentes no Curso de Psicologia da FFCL/USP, no levantamento e análise de documentos de domínio público colhidos nos centros de memória das instituições das quais Gioconda Mussolini participou. A relação dessa personagem com a Psicologia foi sendo construída desde sua formação e atuação profissional. Gioconda Mussolini foi professora normalista, bacharel em Ciências Sociais e Política na FFCL/USP e mestre em Ciências Sociais pela ELSP. Atuou como professora assistente de Sociologia e Antropologia na FFCL/USP, onde ministrou a disciplina Personalidade e Cultura para alunos do recém criado Curso de Psicologia. Foi membro-fundadora da antiga Sociedade de Psicologia de São Paulo, onde conviveu com personagens marcantes da história da Psicologia como Annita Cabral, Noemy da Silveira Rudolfer, Aniela Ginsberg e Virgínia Bicudo. Gioconda Mussolini teve acesso às mais variadas teorias, temas e bibliografias em Psicologia durante sua formação. Aplicou conceitos psicológicos, como personalidade, em seu trabalho docente e em suas pesquisas e publicações. Em suas publicações observou-se a utilização de conhecimentos provenientes da história, da geografia, da sociologia e da psicologia (sentimentos, motivação, atitudes, valores) para analisar as alterações produzidas no contexto da atividade pesqueira e de suas comunidades. Apesar de Gioconda Mussolini não figurar como um dos grandes nomes da Psicologia e/ou da Antropologia, o conhecimento sobre sua trajetória profissional e de suas produções permite identificar apropriações e interfaces da psicologia com outras ciências, proporcionando outras possibilidades de construção da história desta ciência.
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O presente trabalho tem como objeto de pesquisa a Casa do Índio, instituição criada em 1968, pela Fundação Nacional do Índio (Funai), localizada na Ilha do Governador, no Estado do Rio de Janeiro, com a finalidade de acolher indígenas que buscavam tratamento de saúde e apresentavam algum tipo de transtorno mental. A referida Casa foi a primeira de, aproximadamente, quarenta instituições para acolhimento dos indígenas, organizadas no período da ditadura militar no Brasil, vindo, posteriormente, a serem readequadas como Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casais), através da Portaria nº 1.801/2015, passando a compor o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena organizado a partir da lei nº 9.836 de 1999. Atualmente, existem espalhados pelo território brasileiro cerca de 66 Casais, sendo que no período da ditadura foram organizadas mais de 30 Casas do Índio. O objetivo da pesquisa é analisar como a Casa do Índio através da liderança de sua fundadora, a funcionária da Funai Eunice Cariry, se constituiu como um espaço de controle psicossocial de indígenas no período da ditadura empresarial-militar. Considera-se que a pesquisa sobre a Casa do Índio se configura no campo da Psicologia Social, visto que o referido lugar se desvela como um dispositivo onde indígenas, que se dirigiam à cidade, eram abrigados, esquadrinhados, classificados e capturados em uma trama de controle. A Casa do Índio na Ilha do Governador constitui, pois, um espaço importante também para a história da psicologia, visto ser organizada como um recinto de controle das condutas de indígenas no referido período. A perspectiva teórico-metodológica do presente trabalho está inserido no campo da historiografia, mais especificamente de uma história local, feita através da história dos dispositivos de controle psicossocial de índios. Em especial através dos referenciais metodológicos de Michel de Certeau e Kurt Danziger, que permitem considerar os riscos que interditam certos objetos de pesquisa, bem como apontam os caminhos para perceber sobre a formação de uma história da psicologia local e contra-hegemônica A Casa do Índio tem sido um espaço ignorado pela história oficial enquanto local em que uma página acinzentada dos saberes psi foi escrita e continua viva, pois se mantém em pleno funcionamento em uma limbo jurídico entre a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Secretaria Especial da Saúde Indígena (SESAI) e a fundadora da Casa, Eunice Cariry, em função desta questão o marco temporal da pesquisa é o ano de 1968 quando a instituição foi criada até os desdobramentos de sua transferência da Funai para a SESAI através da Lei. A pesquisa teve como principais fontes os documentos encontrados tanto através dos registros na imprensa, utilizando para esta finalidade a Hemeroteca Digital Brasileira, mas foi feito uso também dos documentos encontrados no Serviço de Gestão Documental da Funai ( Sedoc) em Brasília que arquiva documentos desde a criação da Funai em 1976. Considerando que Eunice Cariry foi uma personagem chave na criação da instituição, uma visita foi realizada na Casa do Índio para entrevista-la e conhecer a Casa. A análise empreendida sobre este espaço destinado ao asilamento de indígenas permitiu verificar história da psicologia na Casa do Índio e história da Casa do Índio na psicologia, visto que a relação entre índios e a psicologia tem se desenhado em contornos mais amplos do que apresentados pelos relatos oficiais.
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Os manuais de puericultura tiveram um papel importante na educação de mães e futuras mães brasileiras (principalmente as de classe social mais abastadas), que contavam com a orientação em diversas áreas: alimentação, principais cuidados de higiene com o bebê, principais doenças da infância e também aspectos relacionados ao comportamento e à educação dos filhos. O "Psychological Care of Infant and Child" (Watson & Watson, 1928) que foi o primeiro livro de Behaviorismo traduzido para o português brasileiro, publicado no país em 1934 e em 1941, tratava sobre a temática de criação de filhos. Esse trabalho visa avaliar a recepção das traduções do Psychological Care no Brasil e o impacto que essa obra teve na puericultura brasileira na primeira metade do século XX. O trabalho foi dividido em dois estudos. No primeiro apresentamos uma análise histórica do contexto do surgimento dessa tradução bem como algumas características do texto traduzido. Condições sociais responsáveis pelo desenvolvimento da puericultura, mudanças no mercado editorial brasileiros derivadas da crise de 1929 e o estabelecimento de uma cultura de educação de pais parecem ter promovido o investimento na tradução do livro e sua divulgação no país. Apesar dessa tradução ocupar uma posição privilegiada para a disseminação do Behaviorismo no Brasil. Problemas na tradução e eventuais avaliações críticas do autor do prefácio e das notas de tradução parecem ter entregado um livro menos behaviorista que seu original. No segundo estudo avaliamos se houve - e qual foi - o impacto da tradução do Psychological care em manuais de puericultura no Brasil, em meados do século XX. Identificamos que, a despeito dos problemas encontrados na tradução do livro e das críticas feitas pelo comentarista e escritor do prefácio, os conceitos e termos behavioristas do livro dos Watson foram influentes em manuais de puericultura no Brasil entre as décadas de 1930 e 1960, em especial, naqueles que abordavam aspectos psicológicos e comportamentais da criação de filhos.
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O Boletim do Portal História da Psicologia 3, ou apenas Boletim do Portal 3, é uma coletânea que reúne verbetes publicados na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), traduções e uma resenha. Sumário - Universalismo e Indigenização na História da Psicologia Moderna (Kurt Danziger) - William James (Russel Goodman) - O Caso dos Irmãos Reimer (Júlia Lombardi Carneiro) - Experimento de Aprisionamento de Stanford (Mariana Souza Rodrigues, Izabella Simões da Cruz, Alice Nascimento Moraes Fernandes, Vitoria Amaral de Oliveira, Bruna Lenaz dos Santos, Evelyn de Carvalho) - Teste de Apercepção Temática (TAT) (Débora Pinheiro de Oliveira, Luísa Mello da Silva, Maria Formiga Menezes, Maria Luiza Marchezini Saliba, Mikaelle Vitória Sousa de Almeida, Rayca Rafaelly Pereira Siqueira Lobato) - John E. Douglas (Júlia Lombardi Carneiro) - CAPS Clarice Lispector (Stella Costa Angelo, Amanda Albernaz de Freitas, Maurício Coutinho Pereira, Raphaela Silveira de Oliveira, Lucas Vieira Coutinho, Lorenzo Miguel Donato de Oliveira Santos, Arthur Arruda Leal Ferreira) - Resenha do livro Locuras en Primera Persona, de Rafael Huertas (Arthur Arruda Leal Ferreira, Luana Oliveira Clemente, Amanda Albernaz de Freitas, Adjailton Ferreira de Albuquerque Junior, Elen Cougil da Cunha, Maísa Pachela Garcia, Maria Clara da Silva Quintan, Maurício Coutinho Pereira, Paulo Vitor Fernandes Costa de Lima, Raphaela Silveira de Oliveira, Victória Farias de Brito, Vitória Maria França de Paula)
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O objetivo deste trabalho é o estudo da constituição da psicologia analítica no Brasil. Para esse fim, utilizou-se a abordagem social em história da psicologia buscando situar personagens e fatos no contexto geral, na medida em que se entende que a história está inserida em determinado tempo e lugar. Foram identificados três personagens considerados pioneiros da disciplina no país – Nise da Silveira, Pethö Sándor e Leon Bonaventure, cujos percursos pessoais e profissionais são abordados, ao mesmo tempo em que são apontados eventos e situações mais amplos que podem estar relacionadas ao processo que levou tais pessoas a assumirem o papel de pioneiros. Ao mapear-se a contribuição desses profissionais, para o campo da psicologia analítica, percebe-se o desenvolvimento de um trabalho criativo que não se limita à disseminação, no país, dos conceitos de Carl Gustav Jung, propondo métodos e técnicas próprias. Além disso, particularmente na obra dos dois primeiros pioneiros pesquisados, observa-se a colaboração para a constituição de uma psicologia analítica brasileira.
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Este trabalho tem como ponto de partida a análise de propostas para formação do psicólogo. Busca contribuir para construção de uma história da psicologia, a partir das ideias e projetos para a constituição do psicólogo para sua inserção sobre a realidade. Através do referencial teórico-metodológico do materialismo histórico, recuperou-se dois momentos: a) o período de modernização vivido no Brasil ao longo dos anos 1950, quando psicólogos com propostas das mais diversas, se unem para regulamentar a profissão no País, um dos primeiros a ter uma lei para regulamentação profissional na área. Discute-se o movimento que levou a essa lei e a importância de se pensar a relação sociedade/ciência/universidade para definir projetos de formação. O cenário de industrialização vivido no Brasil marca o debate em várias esferas do trabalho. Por um lado, mostra que havia uma preocupação com a formação das mentalidades para o mundo do trabalho num momento de mudanças. Por outro, revela que o tipo de atividade praticada pelo psicólogo interessava ao desenvolvimento do mercado nacional; e b) um momento no qual os anos 1920 o Leste Europeu passa por transformações sociais e políticas com propósitos revolucionários. A discussão em torno da prática psicológica como determinada para uma realidade e a recuperação de uma filosofia da psicologia aparecem como ideias para se pensar o trabalho do psicólogo, o plano de construção de uma sociedade nova com base no socialismo mostra que foi necessário pensar num homem novo. As particularidades históricas neste trabalho, são analisadas a partir das próprias condições nas quais o debate veio a surgir. A formação do psicólogo mostrou ser uma preocupação para a constituição da prática e identidade profissional e, revelou que a atividade do psicólogo lida com concepções conservadoras e transformadoras, podendo assumir uma ou outra forma, como também, simultaneamente ambas
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Este trabalho defende a tese de que, em seu desenvolvimento, a Escola de São Paulo de Psicologia Social operou um importante giro ideopolítico em relação àqueles seus trabalhos que datam até fins da década de 1980. Tal giro, gestado no período posterior ao fim do socialismo no leste europeu (1989) e na derrocada da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (1991), concretizou-se no abandono ou transformismo de importantes fundamentos e categorias do materialismo histórico-dialético, tais como a estrutura e a dinâmica das classes (e da luta de classes), a centralidade do trabalho e a perspectiva de superação do capitalismo. A tese anunciada sustenta-se em pesquisa cujo objetivo foi o de historiar a Escola de São Paulo de Psicologia Social. O primeiro capítulo da exposição dos resultados alcançados por esta pesquisa inicia com uma discussão dos fundamentos metódicos que orientaram a sua realização, em que estão condensados: a) as discussões historiográficas (relativas à escrita da história) a partir de trabalhos de importantes historiadores da psicologia; b) os fundamentos do materialismo histórico-dialético que, sob a forma de uma filosofia da história, orientaram esta produção. No segundo capítulo, são analisados os primeiros desenvolvimentos da Escola de São Paulo de Psicologia Social, desde os primeiros trabalhos realizados por Silvia Lane e Alberto Abib Andery em comunidades nos anos 1960, passando pelas primeiras formulações críticas em relação à Psicologia Social estadunidense que ganham expressão nos escritos de Lane nos anos 1980, até sua síntese mais elaborada em Psicologia Social: o homem em movimento, obra organizada por Silvia Lane e Wanderley Codo e publicada em 1984 e cuja inspiração marxista, tanto em termos das categorias que constituem a compreensão do ser humano singular quanto em termos do sentido do projeto de transformação social, é notória. Este momento do desenvolvimento da Escola de São Paulo cede lugar a uma série de reformulações (pós 1989-1991), cuja principal expressão reside na apropriação dos autores neomarxistas Heller e Habermas. O livro Novas veredas da Psicologia Social, de 1994, organizado por Silvia Lane e Bader Sawaia, representa uma obra-síntese das novas formulações da Escola de São Paulo. Junto a outros escritos, a partir da década de 1990, este livro é objeto de análise do terceiro capítulo, que identifica, em termos dos fundamentos e das categorias da psicologia social, as reformulações operadas. Por fim, é dimensionado o sentido do projeto de transformação social que se deriva das reformulações das categorias e fundamentos da psicologia social, realizadas pela Escola de São Paulo pós 1989-1991
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Este trabalho teve por objetivo principal o estabelecimento de possíveis pontos de aproximação e distanciamento entre a Teoria Histórico-Cultural de Lev Vigotski e uma das suas contemporâneas intelectuais mais destacadas conhecida como Reflexologia Soviética. Para alcançar este objetivo foi realizado um trabalho de revisão bibliográfica no intuito de dar visibilidade às trajetórias intelectuais e políticas de Vigotski e de três expoentes da Reflexologia Soviética: Ivan Séchenov, Vladimir Bechterew e Ivan Pavlov. Foram analisadas algumas das condicionantes filosóficas, científicas e ideológicas das produções intelectuais das duas escolas de pensamento tendo em vista a reunião de subsídios para o início da fase subseqüente da investigação. Esta consistiu numa análise de conteúdo quantitativa e qualitativa das referências feitas aos autores da Reflexologia Soviética nos textos presentes na publicação das Obras Escolhidas de Lev Vigotski. Foi possível concluir que a Reflexologia Soviética possui presença significativa nos textos reunidos nas Obras Escolhidas de Vigotski. Percebeu-se também que há mudanças qualitativas significativas nas menções de Vigotski aos reflexologistas, embora o conteúdo crítico relativo à negação reflexológica da atribuição de estatuto científico ao estudo da consciência tenha consistido num posicionamento constante nos textos colocados em análise neste trabalho. Além disso; constatou-se que as referências de Vigotski aos reflexólogos possuem um caráter fundamental nas conjecturas teóricas histórico-culturais, tendo em vista a constatação de que a presença dos reflexologistas é uma das mais expressivas dentre outras existentes na coletânea que foi objeto desta análise. Constatou-se que Vigotski parecia concordar com a afirmação reflexo lógica de que a aprendizagem reflexa consiste num dos fundamentos do desenvolvimento cognitivo, embora tenha destacado que, no caso específico do desenvolvimento humano, a utilização de signos verbais prepondera na estruturação dos processos cognitivos quando comparada às aprendizagens mais elementares e não mediadas culturalmente, típicas do condicionamento de respostas reflexas descritas pelos reflexologistas.
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