A sua pesquisa

Ano de publicação
  • Esse trabalho insere-se na perspectiva da história da psicologia, e tem como objetivo desvelar a história da Gestalt-terapia e da Abordagem Gestáltica no Brasil. A pesquisa tem um caráter empírico, de cunho qualitativo, utilizando-se do método historiográfico. Partese de entrevistas semi-diretivas realizadas com alguns dos primeiros profissionais a trabalhar com esta abordagem no Brasil, aqui denominados primeiros atores , no eixo geográfico que compreende o estado de São Paulo e o Distrito Federal, mais especificamente Brasília. Essas entrevistas foram analisadas sob um olhar fenomenológico, e agrupadas em temas centrais, de modo a abordar a visão particular desses primeiros atores no sentido de compreender, a partir de suas percepções individuais, como chega; com quem chega e como se desenvolve a Gestalt-terapia no Brasil. Este trabalho contribui não apenas para elucidar o legado histórico da Gestalt-terapia, mas também para refletir sobre suas perspectivas sociais e politicas. Assim sendo e, a partir de um olhar crítico sobre as contribuições, possibilidades e perspectivas, o estudo corrobora com a solidificação dos estudos epistemológicos da abordagem gestáltica.

  • Este trabalho tem como objetivo identificar e analisar as condições intelectuais, institucionais e pragmáticas que justificassem as práticas de saúde no Sanatório São Julião. O recorte temporal vai de 1941 a 1986, período que compreendeu a inauguração do São Julião como um Hospital Colônia ao ano em que o Governo Federal declarou os Hospitais Colônia inconstitucionais. A pesquisa se insere no campo da História da Psicologia e utiliza os conceitos da Memória Social, bem como os fundamentos da História Oral e da Análise Documental. Foram utilizadas fontes textuais primárias, disponíveis no Arquivo Municipal de Campo Grande (ARCA), no Arquivo do Hospital São Julião; e fontes orais, produtos de entrevistas a ex-pacientes e ex-funcionários do Sanatório São Julião. Os primeiros anos de funcionamento do Sanatório foi considerado satisfatório para os padrões da época, apesar da exclusão social, mesmo em âmbito institucional. Aos poucos a assistência médica tornou-se ineficiente, pela falta de recursos humanos e materiais, culminando com a precariedade do local. As análises dos recortes dos jornais sugerem que a sociedade campo-grandense, movida por certa visão social da Lepra, na mídia impressa, “amparou” os internados no Sanatório São Julião com doações de diversos gêneros, desde alimentos a valores altos, feitos por “generosos” campograndenses. A partir de 1970 a instituição foi sistematicamente reestruturada, porém, na ausência de políticas públicas, os recursos para a manutenção da instituição dependiam de doações, da caridade e filantropia. A partir da mídia impressa, a imagem que se formou da instituição foi associada a ideia de cuidado à saúde, ligada a práticas donativas e benevolentes. Intrinsicamente, deu-se ali, com a ajuda de voluntários, uma nova política de trabalho e cuidado em diversos níveis, que iam além da saúde do corpo, com desenvolvimento social e psíquico.

  • Este trabalho tem como objetivo compreender a História da Psicologia no Estado deGoiás a partir de sua relação de complementaridade com a Educação, contextualizando a penetração, o apogeu e o declino da Escola Nova no Estado, assim como as concepções, os discursos e as práticas psicológicas, oriundas desse movimento, sinalizando também a sua transição para uma proposta de cunho tecnicista. Para tanto, foi realizado, inicialmente, um estudo histórico-bibliográfico descrevendo e discutindo a Psicologia e a produção historiográfica da mesma no Brasil. Esse estudo possibilitou a compreensão da situação histórica da Psicologia no Brasil, apontando também alguns trabalhos mais recentes que contribuíram para a escrita da história dessa ciência nos diferentes Estados. Num segundo momento, buscou-se descrever e discutir a história da Psicologia em Goiás, alçando relação com educação. Esse momento está dividido em três partes. Na primeira parte foram descritas e analisadas as concepções, os discursos e as práticas psicológicas na Educação, anteriores ao advento da Escola Nova. Na segunda parte, buscou-se descrever e analisar a Psicologia em Goiás desde a inserção do ideário escolanovista até a sua consolidação e declínio. Numa terceira parte, procurou-se apresentar uma descrição e analise sobre o Ensino Tecnicista em Goiás, buscando sua relação com a Psicologia. A pesquisa revelou que as ideias da Escola Nova: 1. estiveram presentes em documentos oficiais desde 1916; 2: começaram a se intensificar a partir dos anos de 1920, sendo possível evidenciar, com mais clareza, sua relação com a Psicologia 3. tiveram sua máxima expressão, o apogeu, na era Vargas/Ludovico (1930-1945), principalmente após 1937, sendo a Revista Oficial de Instrução o mais importante impresso para sua disseminação nessa época, onde foram publicados vários artigos de autores goianos sobre Psicologia e Escola nova; 4. Após a era Vargas/ Ludovico, as ideias escolanovistas começam a perder sua força, o que pode ser evidenciado na diminuição de temas referentes a Escola Nova na segunda fase da Revista Oficial de Instrução, e o aumento de temas relacionados a técnica e aperfeiçoamento técnico. No final de 1950 até 1962, foi possível perceber, na terceira fase deste periódico, um esvaziamento ainda maior das ideias escolanovistas, e uma aumento expressivo de assuntos voltados para: a educação do adulto; os aspectos socioculturais da Educação; a educação dos excepcionais; o ensino da matemática; a preparação técnica dos professores por meio de programas de formação/especialização; a Psicologia dos excepcionais, os testes psicotécnicos como instrumentos para seleção de professores; os métodos de pesquisa em Psicologia.

  • Klaus Holzkamp (1927-1995) foi um psicólogo e professor universitário que desempenhou um papel importante no desenvolvimento da Psicologia Crítica Alemã (PCA), infimamente apropriada pela Psicologia brasileira. Sua teoria foi elaborada na República Federal da Alemanha em um contexto de Guerra Fria. Com investigações inicialmente no campo do construcionismo, o autor se apropriou do marxismo a partir de seu envolvimento com os movimentos estudantis que ganharam força durante a década de 1960. Com essa aproximação, Holzkamp rechaçou sua produção anterior e realizou uma crítica positiva a partir do que se tinha produzido na Psicologia. Neste sentido, temos como objetivo a apropriação da fase ulterior de sua obra. Mais especificamente, buscamos (a) identificar a relação de sua produção com o momento histórico e social no qual foi gestada; (b) compreender as inflexões teóricas operadas ao longo de sua obra; e (c) apropriar-se dos seus escritos a partir de 1983. Este recorte se dá em função da dificuldade de acesso às suas obras em outros idiomas que não o alemão. Conclui-se que a PCA consiste em uma importante expressão da Psicologia Crítica mundial, fruto de uma aproximação ao marxismo em um momento de acirramento de lutas sociais. Esta perspectiva possui diversas contribuições para a Psicologia brasileira, tanto pelas aproximações possíveis com movimentos teóricos latinoamericanos, quanto por sua capacidade explicativa fruto de um resgate crítico do conhecimento até então produzido

  • Este trabalho tem, como objetivo, descrever e analisar as produções e os conhecimentos de Enfermagem que circularam na revista Annaes de Enfermagem, entre 1932 e 1988, bem assim suas interfaces com os saberes Psi. Para isso, utilizamos, como fonte primária, textos que circularam na Revista Annaes de Enfermagem, no período selecionado. O recorte temporal se justifica, pois 1932 foi o ano de circulação do primeiro fascículo e 1988 foi o ano de implantação do SUS. A pesquisa se insere no campo da História das Ciências, na interlocução com a História da Enfermagem e a História da Psicologia à luz dos conceitos “estilo de pensamento” e “coletivo de pensamento”. Metodologicamente, é uma pesquisa historiográfica de cunho bibliométrico, cujas fontes primárias foram textos da referida revista, analisados de maneira mista: quantitativa e qualitativamente. Os resultados indicaram um número expressivo de publicações por autores anônimos; a predominância de autoria feminina; a relativa conexão entre as carreiras e as atuações das autoras e suas relações com a produção circulante nos Annaes; um espaço exclusivo para enfermeiras diplomadas socializarem suas produções e um esforço de definição da profissão. As produções cumpriram a função de dar visibilidade à Enfermagem brasileira considerada moderna, ou seja, profissionalizada pelas escolas. Os Saberes Psi eram objetos de interesse daquele coletivo, que passou a divulgá-lo, no periódico, e a introduzi-lo nos currículos das Escolas de Enfermagem. Foram apropriados para compor o processo de conformação da enfermeira moderna por, pelo menos, três mecanismos, a saber: (1) o ensino de Psicologia voltado para a formação moral e comportamental da enfermeira; (2) o ensino de Psicologia para a capacitação da enfermeira na assistência ao doente, além da saúde do corpo, i.e., um cuidado social e psíquico e (3) o ensino de Psiquiatria para capacitar a enfermeira no cuidado com o doente mental. O interesse, nesse campo, foi ao encontro do estilo de pensamento Nightingaleano de formação da enfermeira considerada ideal para confluir com a conformação à Enfermagem moderna brasileira.

  • A partir da regulamentação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), em 2004/2005, o psicólogo figura como profissional essencial nas equipes dos serviços ofertados nesse campo. No entanto, existem indícios de que psicólogos trabalham na Assistência Social antes desse período. Essa inserção não foi sistematizada na literatura, não permitindo o estabelecimento de registros lineares dessa trajetória. Assim, o objetivo deste trabalho é investigar o ingresso e a atuação do psicólogo nos serviços de Assistência Social em Natal/RN, bem como as atividades desenvolvidas por eles no período de 1972-2003. Esta delimitação temporal justifica-se porque Natal passou a ter psicólogo a partir de 1972, e 2003 foi o ano imediatamente anterior aos marcos de 2004/2005. A investigação se dividiu em duas etapas: documental e história oral. A primeira se deu por meio da consulta a 86 monografias do Setor de Documentação do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em que se buscou identificar quais eram os serviços que caracterizavam o campo assistencial e os indícios da presença dos psicólogos nesses espaços. Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas com 13 psicólogos que trabalharam na Assistência Social, a fim de investigar sua atuação, as atividades desenvolvidas, o processo de inserção na área, entre outros aspectos. A análise do material foi feita com base em categorias temáticas, a partir de uma perspectiva histórica. Os resultados apontam para três grandes âmbitos de inserção dos psicólogos: o campo da excepcionalidade infantil, em que os psicólogos eram vinculados à Legião Brasileira de Assistência Social (LBA); o campo do menor, por meio da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (FEBEM); e a ocupação de cargos de gestão e de coordenação em alguns programas assistenciais.

  • Esta tese lança luz historiográfica sobre processos legais relacionados à regulamentação da formação e profissão de psicólogo, no país. O processo legal culminou com a aprovação da Lei nº 4119/62, cuja origem ocorreu a partir da década de 1930 e finalizou na década de 1970, com a promulgação de documentos vinculados aos Conselhos de Classe. Assim, o objetivo foi o de descrever e analisar o trâmite legal da regulamentação da Psicologia, no Brasil, entre 1950 e 1962. Particularmente, identificamos atores sociais e controvérsias quanto a aspectos da formação e do exercício profissional, quando do trâmite e regulamentação da Lei nº 4.119/62. A pesquisa está lastreada em análise documental e as fontes primárias são, prioritariamente, documentos legais componentes do Dossiê Legislativo da referida lei. Os resultados obtidos sugerem embates em torno de dois eixos centrais: as funções do psicólogo e a qualidade de sua formação. O primeiro apareceu nas controvérsias relacionadas ao fazer clínico da Psicologia que, nas fontes pesquisadas, apareceu concorrente à atuação da Medicina e da Assistência Social. Ainda nessa seara, houve intensos debates sobre aqueles que seriam reconhecidos como psicólogos, a partir da promulgação da lei supracitada. Isso se devia, novamente, ao que seria estabelecido como função prévia vinculada, necessariamente, a tal profissão. O segundo eixo referia-se ao estabelecimento de um currículo que, a partir da delimitação do que o psicólogo poderia – ou não – fazer, instituir-se-ia a partir de um conjunto de disciplinas que oportunizasse a formação para sua futura atuação. Destarte, notase que a regulamentação veio atender às “necessidades sociais” brasileiras (e.g., racionalização do trabalho, problemas escolares etc.), além de responder às crescentes demandas daqueles que já ocupavam os campos de atuação eminentemente psicológicos.

  • A linha de estudos em história da psicologia no Brasil é o campo de pesquisa em que se insere essa investigação sobre o processo de construção histórica do modelo de relação de ajuda do Centro de Valorização da Vida (CVV), durante a segunda metade do século XX. Partindo da análise de 321 boletins informativos, produzidos por essa instituição entre os anos de 1966 e 2000, procurou-se entender como os modelos de relação de ajuda da psicologia da época influenciaram o tipo de apoio psicológico que era oferecido por ela à população. Nesse sentido, tratou-se de compreender como essa organização não governamental - que trabalha com a prevenção de suicídio, por meio de atendimentos por telefone, pessoalmente e por carta - recorreu à ciência psicológica para formar e aperfeiçoar as capacidades de ajuda de seus voluntários. O CVV foi criado em fevereiro de 1962, na cidade de São Paulo, como parte da Campanha de Valorização da Vida e, em 1965, adquiriu personalidade jurídica, tomando-se Centro. Expandiu seu serviço para diversas cidades brasileiras e da América Latina, sendo que, atualmente, conta com cerca de 60 postos de atendimento. Para realização dessa pesquisa, utilizou-se uma metodologia historiográfica de cunho qualitativo, que seguiu estas etapas: 1)leitura dos boletins; 2)elaboração de quadros das atividades do CVV na sociedade brasileira; 3)delimitação das características da relação de ajuda; 4)leitura de fontes secundárias; 5)análise do processo de construçãohistórica do modelo de relação de ajuda; 6)reflexões sobre as influências dos modelos de relação de ajuda da psicologia no CVV; 7)escrita da dissertação. Nesse percurso, descobriu-se que, durante os quinze primeiros anos de existência, o CVV realizava uma atividade diretiva de ajuda, caracterizada por: 1)serviço de prevenção de suicídio por meio da valorização da vida, através da doação de amizade; 2)recurso a estudos e pesquisas científicas sobre ... suicídio para entender as pessoas que usavam seu serviço; 3)focalização dos problemas do indivíduo ajudado e não sua pessoa. Identificou- se também que, durante os anos de 1976 e 2000, o CVV passou a adotar um modelo não-diretivo de relação de ajuda (que perdura até hoje), influenciado pelas teorias da Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers (1902-1987). A partir desse momento, a doação de amizade oferecida por seus voluntários deixou de focar os problemas dos indivíduos que procuravam seu serviço, e passou a levar em consideração a pessoa inteira deles. Por pessoa entendia-se o indivíduo nos seus aspectos mentais, emocionais e comportamentais, embora, na relação de ajuda, enfatizasse a importância de trabalhar os sentimentos. Mais especificamente, tratava-se do voluntário ser disponível para ouvir a pessoa que o procurava, adotando atitudes de autenticidade, compreensão empática e aceitação incondicional, confiando na natureza construtiva do ser humano erespeitando a liberdade do indivíduo fazer suas escolhas. Dessa forma, acreditava-se que o indivíduo poderia sair de suas máscaras, entrando no processo de vida plena e tomando-se a pessoa que é. Concluiu-se que o CVV recorreu principalmente à psicologia rogeriana como-um fundamento para seu trabalho, construí do na prática. Logo, seus voluntários se "apropriaram" de teorias dessa corrente psicológica, adequando-as ao seu contexto específico.

  • Esta pesquisa teve como objetivo conhecer e analisar a avaliação diagnóstica realizada por Helena Antipoff e seus colaboradores, na identificação das dificuldades escolares dos alunos das classes especiais de Belo Horizonte no período de 1929 a 1973. Esse recorte temporal se justifica pela sua chegada em Belo Horizonte (1929) e a criação do Centro Nacional de Educação Especial CENESP (1973), Órgão Central de Direção Superior, com a finalidade de promover em todo o território nacional, a expansão e melhoria do atendimento aos Excepcionais. Utilizouse pesquisa histórica baseada em fontes documentais primárias e secundárias, preservadas na Fundação Helena Antipoff, em Ibirité, e no Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff (CDPHA), situado na Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os dados coletados foram organizados e analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, tendo como referência a obra de Laurence Bardin. Procurou-se trazer para o campo de estudo da psicologia e da educação, especificamente para a educação especial, os questionamentos sobre o diagnóstico como processo de tomada de decisão que busca nas intervenções pedagógicas apropriadas o pleno desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Evidenciou-se que a finalidade classificatória da avaliação era a preconizada à época. No entanto, foram constatados indícios de que Helena Antipoff se mostrava crítica quanto à utilização dos testes psicológicos padronizados como instrumento de avaliação. Cunhou o conceito de inteligência civilizada, a partir de suas experiências com crianças e adolescentes russos, sustentava a ideia de que a inteligência natural era um conceito irreal e confusamente artificial. Quanto à educação das crianças anormais, considerava o diagnóstico como procedimento balizador para a escolha adequada dos métodos e técnicas de ensino, assim como um dispositivo pedagógico para atender às diferenças individuais. Verificou-se que o uso da avaliação diagnóstica na prática de Helena Antipoff mostrou-se eficaz como instrumento de identificação das dificuldades escolares além de favorecer a construção de atividades curriculares individualizadas.

  • A presente dissertação tem como objetivo estudar a obra de Marialzira Perestrello - médica, psicanalista e poeta. Visa também contribuir para a história da psicologia e da psicanálise no Brasil. Do levantamento de dados biográficos e da bibliografia (localizada e organizada a produção em livros, artigos em periódicos, capítulos de livros, prefácios e introdução de livros, um vídeo, além de apresentações orais), passamos para a leitura da obra da autora pesquisada, priorizando três interesses particulares, expressos por Marialzira Perestrello em entrevista à pesquisadora: vida de Freud, psicanálise, artes e literatura e história da psicanálise. Com isso, foi possível apresentar sua contribuição profissional não só à psicanálise. Destacam-se, na conclusão, de um lado sua contribuição à psicologia e, de outro, características que ressaltam de sua bibliografia.

  • Nesta investigação, a compreensão da trajetória de Waldir dos Santos Costa passou pelas instituições que contribuíram para sua formação como psicólogo e por seus espaços de atuação, ao implantar os primeiros serviços de Psicologia do Amazonas e se dedicar a favor da regulamentação da profissão neste estado, durante o período de 1973 a 2018, enquanto assumiu a gestão de instituições, exerceu o magistério e liderou movimentos associativos. Trata-se de um estudo biográfico, do qual as narrativas deste sujeito e de sua rede de sociabilidade foram fontes privilegiadas de pesquisa. Para interrogar os depoimentos e documentos garimpados em arquivos pessoais e várias instituições de guarda, buscamos pistas de sua presença profissional, acadêmica e de organização dos psicólogos da cidade de Manaus. Munidos deste material, recorremos a Halbwachs (2003), Bosi (2004) e Kotre (1997), por suas contribuições à compreensão da memória; Bourdieu (2006, 2010) e Certeau (2017), com o entendimento da construção de um campo de atuação e da história; Sirinelli (2006), em relação à concepção de geração; Alberti (2013, 2019), para a apreensão das narrativas, dentre outros autores. A arquitetura da tese contempla cinco capítulos, em que são interpretados dos aspectos de sua formação ao legado deixado por Waldir dos Santos Costa em sua rede de sociabilidade intelectual. O presente trabalho pretende contribuir para a preservação da memória deste protagonista e, sobretudo, para o conhecimento da história da Psicologia no Amazonas, ainda insuficiente em sua historiografia, que tem priorizado outros temas, objetos e regiões do país.

  • O objetivo principal deste estudo foi apresentar a trajetória da Psicologia Política no Brasil vista a partir de seus precursores e demais participantes. Tais personagens foram divididos em três gerações de pesquisadores considerando o grau de relacionamento acadêmico. As principais fontes de dados para tecer esse estudo foram investigação documental, entrevistas e genograma construído a partir de dados da Plataforma Lattes. Como procedimento investigativo trabalhamos a partir da história oral temática com a qual pudemos combinar as fontes escritas do conjunto documental (atas, cadernos, revistas, anais) com fontes orais (entrevistas). Os resultados da pesquisa apresentam como os personagens das três gerações examinadas consideram o desenvolvimento da Psicologia Política no Brasil num período de 16 anos

  • Esta dissertação traz uma análise documental sobre o ensino de arte no Complexo Educacional da Fazenda do Rosário, Ibirité, Minas Gerais. Essa instituição foi fundada em 1939, por Helena Antipoff, psicóloga e educadora russa, com a ajuda de colaboradores. A pesquisa teve como objetivo verificar como foi o ensino de arte desenvolvido na instituição, entre as décadas de 1940 e 1950, com foco na identificação de uma rede de colaboradores que pudessem ter contribuído para que a educadora promovesse um movimento de integração entre arte e educação, em intercâmbio com os ideais escolanovistas. Este estudo teve como pressuposto que a relação estabelecida entre Antipoff e o artista-educador Augusto Rodrigues foi uma importante parceria para a concepção e execução do ensino de arte desenvolvido na Fazenda do Rosário. A parceria entre Antipoff e Rodrigues remonta à fundação da Sociedade Pestalozzi do Brasil (1945), fundada por Antipoff e colaboradores e da Escolinha de Arte do Brasil (1948), fundada por iniciativa de Rodrigues, outros artistas e apoio de Antipoff, no período em que a educadora atuou no Rio de Janeiro/Ministério da Saúde (1944-1949), sem desligar-se dos trabalhos desenvolvidos em Minas Gerais. Por meio de colaboradores, a maioria atuante nessas instituições, foi possível que Antipoff estabelecesse parcerias que lhe permitiram desenvolver um ensino de arte para atender tanto às crianças, adolescentes e adultos da comunidade local, quanto à formação de professores rurais. As fontes analisadas neste estudo são de diversos gêneros: escritos e manuscritos de Antipoff, correspondências trocadas com colaboradores e autoridades, jornais e periódicos institucionais, folders de divulgação de exposição de arte, fotos tiradas durante visitas de artistas-educadores, livro de registro de alunos e professores etc.. Os documentos consultados indicam uma movimentação em prol de se dinamizar os trabalhos de arte desenvolvidos na Fazenda, ora em cursos realizados na própria instituição, ora em convênios para atender aos professores em formação que se dirigiam ao Rio, na Escolinha de Arte e também na Pestalozzi do Brasil, onde Rodrigues também foi professor. Os resultados mostram que, no Rosário, houve a promoção de oficinas de trabalhos manuais, com uso da matéria-prima local, como: cerâmica, bambu, fibras naturais, carpintaria e entalhe em madeira; produção têxtil em teares manuais; assim como o desenvolvimento do teatro de bonecos, indicado como atividade recreativa, de uso pedagógico nas escolas. O ensino de arte na Fazenda do Rosário foi desenvolvido como possibilidade de formação humana e profissional, tanto para adultos, professores rurais, assim como para crianças e adolescentes. Nesse sentido, Antipoff empreendeu esforços para trazer artistas-educadores nacionais e estrangeiros que colaboraram para que a arte pudesse alcançar a comunidade local, trazendo melhores condições de vida e fazendo o ensino de arte multiplicar-se por meio da formação de professores para atuarem no ensino rural.

  • Esta pesquisa tem por objetivo realizar um estudo histórico da psicologia escolar na Secretaria Municipal de Educação – SME, da Prefeitura Municipal de São Paulo – PMSP. Sustentam esta elaboração os fundamentos da História do Presente, entendida como campo de estudo da história do século XX, a partir da década de 1930 e a proposta atual da Historiografia da Psicologia, especificamente na abrangência da abordagem social. Assim, procura responder ao desafio de se construir uma história crítica, articulando a história da psicologia e a da sociedade, evidenciando suas dimensões sociais e políticas. Documentos constituíram-se em matéria prima para a realização desse estudo histórico. A análise e interpretação do conjunto do material organizado permitiram a identificação de quatro períodos na atuação da psicologia na SME da PMSP e a elaboração de uma narrativa, na qual estão relacionados não só os dados entre si, mas também os dados com alguns dos acontecimentos que marcam a história do Brasil, da psicologia e da própria profissão de psicólogo. Além disso, a memória da autora esteve presente nos bastidores da pesquisa, desde que trabalhou como psicóloga escolar no Serviço de Psicologia Escolar dessa Secretaria, de 1978 até a sua extinção. Nessa perspectiva, o que se procura com este estudo é preencher uma lacuna no conhecimento dessa área, ou seja, oferecer um quadro de referências, que retrate não só as origens do Serviço de Psicologia Escolar no processo social e cultural da realidade brasileira, como as mudanças que nele ocorreram no período em que existiu, e no qual essa história pode encontrar seu sentido, não apenas de maneira circunscrita à Prefeitura de São Paulo, mas também como contribuição à história da psicologia no Brasil

  • O Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP), que funcionou de 1947 a 1990, no Rio de Janeiro, foi uma instituição de extrema relevância no cenário brasileiro. Sendo referência em psicotécnica no país, nunca, entretanto, foi referido com relação à Psicologia do Esporte. O objetivo deste trabalho é mostrar suas inserções na área, por meio da atuação de seus profissionais, entre eles Athayde Ribeiro da Silva, Emilio Mira y López e Cecília Torreão Stramandinoli, além de suas publicações. Foi realizada uma pesquisa no Núcleo de Documentação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), onde o ISOP funcionou, sendo feitas buscas a partir de termos que relacionavam a instituição a termos da área esportiva, seguindo-se outros termos, a partir de dados que foram surgindo nas pesquisas com os documentos encontrados. Outra fonte foram os cadernos de Alice Mira (psicóloga e esposa de Mira y López), uma compilação de recortes de publicações de jornais e revistas de sua época que fizessem referência, de alguma forma, a Emilio Mira y López, reunidos em diversos volumes e que foram digitalizados pela FGV. Os artigos de Cecília Stramandinoli em revistas científicas foram obtidos graças à digitalização deste material. Os livros e artigos escritos por Athayde Ribeiro da Silva (sozinho e em parceria com Emilio Mira y López) foram tratados como fontes primárias, tendo sido cuidadosamente resumidos para a análise realizada. Também recorremos à memória de personagens ligados direta ou indiretamente à história que estamos contando, realizando algumas entrevistas. O resultado das pesquisas mostra a intensa participação do ISOP tanto no apoio à seleção brasileira de futebol, na década de 1960, quanto à produção científica, através de sua revista, e a produção intelectual de alguns de seus personagens. São fatos que não faziam parte da história construída da Psicologia do Esporte até o momento e que certamente possuem relevância neste contexto. Assim, esperamos lançar nova luz à Psicologia do Esporte e também aos três personagens que elencamos aqui, complementando a história já existente, ampliando as referências teóricas e práticas para uma Psicologia do Esporte atual, contextualizada e diversificada

  • O objetivo do presente estudo foi investigar em que circunstâncias ocorreu a inserção dos primeiros psicólogos nos serviços públicos de saúde do Estado do Espírito Santo, contribuindo para a História da Psicologia, da Psiquiatria e da Saúde Pública. Nesse sentido, foram descritos: a situação da psiquiatria local, através do detalhamento do tipo de tratamento dispensado pelos psiquiatras aos pacientes do Hospital Colônia Adauto Botelho e do Pronto Socorro Psiquiátrico de Cachoeiro de Itapemirim antes da entrada dos primeiros psicólogos nesses serviços; a parceria estabelecida entre psiquiatras e psicólogos a partir do encaminhamento destes para aquelas instituições; o tratamento dispensado pelos psicólogos aos usuários dos serviços e as alterações nas instituições psiquiátricas com inserção da nova categoria profissional. Dois psiquiatras, três psicólogos e uma auxiliar de enfermagem responderam a uma entrevista semi-estruturada. Além disso, foram analisados documentos da época cedidos pela Secretaria de Saúde do Estado ou localizados no Arquivo Público do Espírito Santo. Os resultados indicaram, entre outras coisas, que a inserção dos primeiros psicólogos nos serviços públicos de saúde do Espírito Santo ocorreu a partir de 1976, dentro de um contexto local e amplo de críticas dirigidas à noção de loucura e à terapêutica oferecida aos considerados loucos e, mesmo, às injustiças sociais de uma forma geral. Nota-se, dessa forma, uma originalidade nas ações colocadas em funcionamento naquele momento. Esta é uma história que interessa à área de uma forma geral, na medida em que se conecta com os mais diversos acontecimentos.

  • Esta dissertação visa recompor uma história da Psicologia Soviética, desde o governo Leninista até o final do período Stalinista (1917-1953), tal como, ela se apresentou nos tratamentos dados à Função Psicológica Superior Imaginativa. Para cumprimos nosso objetivo, realizamos esta pesquisa bibliográfica mantendo como visão metodológica e respaldo analítico o materialismo histórico-dialético. Buscamos demonstrar a importância da função imaginativa no desenvolvimento da Psicologia Soviética. Compreendemos que a imaginação é uma função psicológica superior práxica, que se desenvolve pela mediação da atividade social do sujeito na sociedade em que vive. Por ser assim, encontra-se ausente em crianças muito pequenas e não é compartilhada com nenhum animal. A imaginação, assim como qualquer outra função psicológica superior, é primeiro um processo interpsicológico e, no decorrer do desenvolvimento humano, é interiorizada pelos processos de atividades do sujeito na sociedade em que vive tornando-se um processo intrapsicológico. Portanto, tínhamos como hipótese teórica que as condições materiais, tecnológicas e científicas para o desenvolvimento da psicologia na União Soviética, entre 1917 até 1960, permitiram ao mesmo tempo avanços e retrocessos nos estudos da função imaginativa. Também destacamos a relevância da imaginação no avanço técnico, científico e artístico da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (U.R.S.S). Neste sentido, encontramos as contribuições da imaginação presentes no crescimento econômico e superestrutural da União Soviética. Além disso, a função imaginativa, também se fez presente na investigação criadora para a elaboração de uma nova ciência psicológica, que teve como visão de ser humano e do mundo o marxismo. Por conseguinte, destacamos autores que contribuíram para a criação de uma teoria da imaginação entre os períodos Leninista e Stalinista, tais como: Rubinstein, Vigotski, Luria, Liublinskaia e Ignatiev. Todos estes teóricos desenvolveram pesquisas sobre as contribuições da imaginação na construção de uma nova sociedade. Tratando-se do desenvolvimento histórico da psicologia soviética, iniciamos nossa análise a partir da Revolução de Outubro de 1917, que criou novas condições para o desenvolvimento da psicologia soviética. Destacamos a partir de autores como: Petrovski, Smirnov, Lomov, Levitin, Anániev, Borovski, Shuare, Vega, entre outros, os caminhos encontrados pela ciência psicológica soviética desde a Revolução até o fim da década de 1950. Buscamos destacar os períodos de avanços e retrocessos nesta área do conhecimento, em específico, das teorias da imaginação. Explicamos também como as abordagens sobre a Função Psicológica Superior Imaginativa participaram da promoção da criação de condições para o avanço das pesquisas desta ciência. Por fim, apresentamos as conclusões finais desta dissertação, comprovando nossa hipótese dos avanços e retrocessos nas abordagens da imaginação. Apresentamos ainda sua relevância para várias áreas de atuação da ciência psicológica, tais como: História da Psicologia, Psicologia do Desenvolvimento, Avaliação Psicológica, entre outras.

Última atualização da base de dados: 16/07/2026 00:05 (UTC)

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