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O objetivo deste artigo é estabelecer as relações entre práticas psicológicas e práticas de governo ou governamentalidade, conceituada por Michel Foucault como arte de “condução da conduta alheia”. O guia utilizado para se entender este trabalho genealógico são os cursos Segurança, Território, População e O Nascimento da Biopolítica. Trabalho prosseguido por Nikolas Rose, buscando atrelar de modo específico o surgimento dos saberes psicológicos aos modos liberais de governo. O ponto nevrálgico dessa história do governo se encontraria no século XVI, quando começam a proliferar os Manuais de Governo, fundamentados na Razão de Estado. Estes manuais não estariam mais baseados em dispositivos legais, mas na necessidade do disciplinamento e registro constante de inúmeros aspectos das vidas dos governados, caracterizando o “Estado de polícia”. Contudo, notadamente a partir do século XVIII, surgem novas tecnologias de governo, patrocinadas pelos pensadores fisiocratas e liberais. A população é vista como um ente natural do qual se deve governar, não mais intervindo em todos os detalhes como no “Estado de polícia”, mas acompanhando todas as suas flutuações livres. Aqui o governo se define como tecnocracia, no conhecimento científico dos movimentos naturais e espontâneos dos governados, investindo especialmente na gestão destes através da sua liberdade. Nestas novas formas de governo presentes nas sociedades democráticas contemporâneas, as práticas psicológicas teriam especial importância enquanto modo de gestão liberal pautada pelo esquadrinhamento de um grupo de variáveis da vida dos indivíduos e pela incitação a uma série de mecanismos de autorregulação e autogoverno.
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Este artigo tem por objetivo problematizar um dispositivo importante no processo de reforma psiquiátrica brasileira que é a reabilitação psicossocial. Os autores observam que novas modalidades de tratamento em saúde mental não determinam que os doentes mentais possam efetivamente assumir a condição de cidadão, pois princípios manicomiais podem estar presentes, embasando serviços e práticas. O que se observou é que a reabilitação psicossocial tem uma grande importância na vida dos ditos doentes mentais, mas apresenta o risco de promover a manutenção da condição de psiquiatrizado. Para se pensar sobre essa questão, recorre-se à genealogia de Michel Foucault que consiste na problematização das práticas de poder subjacentes aos discursos psiquiátricos contemporâneos no Brasil.
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Jedan od mogućih načina proučavanja istorije psihologije i psihijatrije može se pronaći u Fukoovim radovima o upravljaštvu (eng. governmentality). Prateći njegov rad, generalno bismo mogli da izdvojimo dva velika istorijska okvira: 1) pojavu tehnika upravljanja koje su zasnovane na disciplini (nazvane Policijska Država) u XVI veku i 2) nove liberalne tehnike upravljanja koje su se pojavljivale od XVII veka pa nadalje. Psihologija je odigrala veoma važnu ulogu u razvoju ovih poslednjih, naročito od samog početka XX veka, i to posebno u procesu oblikovanja demokratskih društava. Psihologija operiše ne samo kroz disciplinovanje individua već, takođe i pre svega, kroz njihovu slobodu i aktivnost. Naš specifični cilj u ovom tekstu biće da evaluiramo italijanski i brazilski pokret reforme psihijatrije. Naša analiza biće sprovedena tako što ćemo se se oslanjati na proučavanje koncepata građanstva i slobode, onako kako su oni prisutni u zakonima, zvaničnim dokumentima, nekim akademskim tekstovima i praksama, a imajući u vidu vrste i stilove upravljaštva za koje se pretpostavlja da postoje u tim diskursima i praksama. Naša hipoteza biće da u ovim procesima istovremeno postoje stari disciplinarni procesi zajedno sa procesima otpora prema njima, s jedne strane, a nove liberalne forme upravljanja, s druge strane.
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El objetivo de este artículo es contestar una serie de cuestiones planteadas por Sánchez-Criado sobre la ANT, especialmente sobre su posible carácter metafísico. Para esto ha sido propuesta la búsqueda de una definición sobre lo que es la agencia, sobre el papel que juega el principio de simetría, sobre el sentido de la in/distinción humanos-no humano, y sobre cómo debemos aproximarnos al estudio de la subjetividad o del self. Para tal cosa, se propone el esfuerzo de atravesar estas cuestiones, sin responderlas de forma categórica. El esfuerzo será una toma de posición sobre una serie de apuestas estratégicas. Así, será defendido el carácter de teoría solvente de la ANT, y se apunta un abordaje de la producción de subjetividad de forma más radical que el propuesto en el interior de la ANT. Partiendo de estas posiciones, también, se discutirán los conceptos de simetría y la distinción entre humanos y no humanos.
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A partir do trabalho genealógico de Foucault sobre as práticas de governo, entendidas como formas de condução da conduta alheia, abre-se um campo possível para o estudo do surgimento e das transformações dos saberes psicológicos e psiquiátricos. Aqui teríamos dois marcos: 1) no século XVI, surgem técnicas de governo baseadas no disciplinamento, o “Estado de polícia”; e 2) no século XVIII novas tecnologias de governo em referências liberais. Neste último marco, a psicologia passa a ter especial importância no século XX, atuando especificamente em sociedades democráticas. Não somente através da disciplinarização dos indivíduos, mas principalmente através da liberdade e da atividade destes. Nosso objetivo é avaliar as práticas e conceitos de cidadania e liberdade no contexto de alguns processos de Reforma Psiquiátrica, especialmente a italiana e a brasileira. Para tal, sustentamos a hipótese de que co-existem neste campo não apenas os antigos dispositivos disciplinares e a resistência a estes, mas modos liberais de gestão.
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Este artículo es el resultado de una investigación particular, es la propuesta de un plan de trabajo para comprender la psicología en un sentido histórico y desde sus efectos prácticos en la actualidad. La tesis central es que nuestra experiencia de la subjetividad es efecto de un conjunto de prácticas de subjetivación, y que esta experiencia es una de las condiciones para el surgimiento mismo de la psicología, siendo ésta hoy en día uno de los más poderosos vectores de producción de subjetividad. Para ello propondremos inicialmente un conjunto de definiciones previas sobre la subjetividad, la producción de subjetividad y la psicología. A continuación serán analizadas algunas de las contribuciones sobre el tema de la producción de subjetividades, como los trabajos de Meyerson, Foucault, Guattari y Latour. Más adelante se propone una reflexión histórica de nuestra experiencia de subjetividad a partir de tres prácticas: 1) las de confesión; 2) las referentes a los dispositivos de privacidad; 3) las relativas a la descripción de las condiciones de autoconocimiento. Para acabar, se planteará cómo estas prácticas constituyen una experiencia constitutiva para la psicología y cómo éstas se establecen como poderosos dispositivos de producción de subjetividades.
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El objetivo general de este artículo es el de ofrecer una comprensión sobre la multiplicidad radical presente en la psicología como una red de teorías y prácticas diversas, y asimismo contradictorias entre sí. Para ello, presentaremos inicialmente una discusión epistemológica sobre la multiplicidad radical, destacando la forma con que este debate está vinculado al de la cientificidad de la psicología. A continuación, se planteará otro modo de considerar esta multiplicidad radical, tomando como base la Teoría Actor-Red de Bruno Latour, Annemarie Mol y John Law, así como la Epistemología Política de Isabel le Stenges y Vicianne Despret. Partiendo de la consideración de las diversas psicologías como dispositivos de producción ontológica de subjetividades, se mostrará finalmente un conjunto de trabajos de investigación tratando de evaluar la presencia y las formas de subjetivación psicologizadas entre estudiantes adolescentes de la ciudad de Rio de Janeiro. En el apartado de conclusiones serán discutidos los resultados de esta investigación, teniendo en cuenta las propias políticas ontológicas presentes en la elección de los métodos utilizados.
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O objetivo geral deste artigo é tentar produzir uma compreensão sobre os modos de diálogo entre a psicologia e seus sujeitos. Para abordar estes diversos modos de diálogo será apresentada uma breve história desta relação, além de uma reflexão desta por meio da Teoria Ator-Rede de Bruno Latour, Annemarie Mol e John Law, e a Epistemologia Política de Isabelle Stengers e Vinciane Despret. Partindo da consideração das diversas psicologias como dispositivos de produção ontológica de subjetividades será proposto um conjunto de trabalhos de investigação para se avaliar entre estudantes do segundo grau na cidade do Rio de Janeiro a presença e as formas dos modos de subjetivação psicologizados. À guisa de conclusão os resultados desta pesquisa serão discutidos tendo em vista as próprias políticas ontológicas envolvidas na escolha dos métodos empregados.
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El objetivo general de este artículo es ofrecer una comprensión sobre la multiplicidad radical presente en la psicología como una red de teorías y prácticas diversas, y asimismo contradictorias entre sí. Para ello, presentaremosinicialmente una discusión epistemológica sobre la multiplicidad radical, destacando la forma en que este debate está vinculado al de la cientificidad de la psicología. A continuación, se planteará otro modo de considerar esta multiplicidad radical, tomando como base la teoría Actor-Red de Bruno Latour, Annemarie Mol y John Law, así como la Epistemología Política de Isabelle Stengers y Vicianne Despret. Se partirá de la consideración de las diversas psicologías como dispositivos de producción ontológica de subjetividades. Se mostrará finalmente un conjunto de trabajos de investigacióndtratando de evaluar la presencia y las formas de subjetivación psicologizadas entre estudiantes adolescentes de la ciudad de Río de Janeiro. En el apartado de conclusiones serán discutidos los resultados de esta investigación teniendo en cuenta las propias políticas ontológicas presentes en la elección de los métodos utilizados.
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Este trabalho visa trazer à cena os diferentes modos de produção de subjetividades engendrados pelas práticas psicológicas. Tal investigação tem como base conceitual a Epistemologia Política de Isabelle Stengers e Vinciane Despret e a Teoria Ator-Rede de Bruno Latour e John Law. Para estes autores, o conhecimento científico se produz não como representação da realidade através de sentenças bem formadas, mas como modos de articulação entre pesquisadores e entes pesquisados. De modo geral, estes modos de articulação podem engendrar um efeito de recalcitrância (problematização das hipóteses, conceitos, instrumentos ou mesmo questões da pesquisa) ou docilidade (extorsão da resposta esperada) por parte dos entes investigados. A possibilidade de gerar e acolher a recalcitrância seria a base para um novo parâmetro de legitimidade científica, em substituição ao modelo que busca a aproximação ao que seria uma verdade. Para investigar estes modos de articulação produzidos pelos saberes e práticas psicológicos, observou-se os modos de articulação que certas técnicas psicológicas, especialmente no campo terapêutico, têm com seus usuários. De modo mais específico estas técnicas, vindas de orientações distintas (psicanálise, terapia cognitiva-comportamental, Gestalt-Terapia e Análise Institucional) estão sendo acompanhadas na Divisão de Psicologia Aplicada da UFRJ. Para tal, além da descrição dos artefatos presentes em certas práticas terapêuticas foram entrevistadas pessoas em início e em término de terapia, estagiários, a equipe de triagem e orientadores. Em tais entrevistas, os pesquisados são considerados co-experts aptos a se manifestar sobre temas como: a natureza da psicologia, seus aspectos terapêuticos e seus efeitos na vida cotidiana. Destacamos neste trabalho as narrativas da equipe de triagem e em início de terapia. No que diz respeito à equipe de triagem, pode-se destacar os modos de negociação não lineares que existem entre os estagiários da DPA para a entrada de novos usuários. Foi possível perceber que não há um critério pré-determinado de encaminhamento do usuário para uma abordagem terapêutica específica. A forma de escolha se baseia em uma disponibilidade de vagas em determinada abordagem, ficando em segundo plano a demanda do usuário. No que se refere às pessoas em início de terapia, após a análise das entrevistas foi possível perceber 2 padrões de respostas: 1) Respostas canônicas sobre o que é a terapia e quais são seus objetivos, demonstrando uma postura dócil frente à autoridade do psicólogo que era encarnada pelos entrevistadores estudantes de Psicologia. 2) Respostas com um posicionamento mais inquisidor sobre a Psicologia, entendendo esta como um modo de ver o mundo, uma filosofia de vida, apresentando uma postura mais recalcitrante.
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Este artigo tem como objetivo primeiro chamar a atenção para a efemeridade do conceito de b iopolítica nos escritos de Foucault. Investigaremos inicialmente a ascensão, as transformações, o declínio e o desaparecimento deste conceito, principalmente nos cursos Segurança, território e população (1977-1978) e O nascimento da biopolítica (1978-1979), focando especialmente na passagem para o conceito de governamentalidade. A partir desse exame, nosso objetivo é utilizar as suas últimas formulações para entender os modos de gestão presentes nas práticas psi, entendendo-as, conforme autores como Foucault ou Rose, como liberais ou neoliberais. Dentre as práticas psi, destacaremos as presentes em dispositivos da Reforma Psiquiátrica Brasileira, como os Centros de atenção psicossocial, existentes desde os anos 1980. Para tal, apresentaremos para o leitor estrangeiro as linhas gerais da Reforma Psiquiátrica Brasileira e seus dispositivos, a fim de tentarmos uma análise das formas de gestão, presentes por meio dos conceitos de governamentalidade liberal e neoliberal. Essa análise será empreendida por meio da análise de prontuários que registram os modos cotidianos de condução dos casos que se passam no interior dos Centros de atenção psicossocial. Considerando a possível existência de distintos modos de governamentalidade, discutiremos, na conclusão, os sentidos deste governo pela liberdade, a própria pertinência do termo liberal para designar estes modos, além de uma possível taxonomia dos modos de governamentalidade psi.
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