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Em 2020 foi realizado, virtualmente, o XIV Encontro Clio-Psyché com o tema transversal a história da psicologia e suas críticas. Já é uma tradição para os estudiosos da história e da memória da psicologia, a cada dois anos, o encontro do Clio-Psyché e, também, o livro com o que de melhor aconteceu por lá! Dessa vez não foi diferente e a obra traz desde uma reflexão bastante atual sobre a história da psicologia em tempos de confinamento e distanciamento social, provocados pela pandemia de COVID, até depoimentos e apresentações de livros. Sob a batuta competente da equipe do Laboratório Clio-Psyché, o livro está organizado em seis seções, com quase 30 capítulos, escritos por mais de 50 autores do Brasil e de vários outros países. A diversidade de temas e perspectivas de análise é outro diferencial e contribuem para que o livro possa ser apreciado por leitores iniciantes, como alunos de graduação e pós-graduação, mas também por estudiosos experientes. Todos os interessados na história e na memória da psicologia são convidados para a leitura desse livro que apresenta uma síntese do que está na ordem do dia dos centros mais avançados de pesquisas em história e memória da psicologia pelo mundo. Boa leitura! Sérgio Cirino, UFMG
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Neste estudo objetivamos compreender as origens dos Institutos Disciplinares, estabelecimentos criados no início do período republicano, que atendiam adolescentes ditos “delinquentes”. Para isso, analisamos documentos históricos e as obras Classificação dos criminosos: introdução ao estudo do direito penal (1925) e Os menores delinquentes e o seu tratamento no Estado de São Paulo (1909), ambas de autoria de Candido Naziazeno Nogueira da Motta (1870-1942), jurista que apresentou o projeto de criação do primeiro Instituto Disciplinar do estado de São Paulo. Concluímos que a Escola Positiva de Direito Penal, exerceu grande influência na criação de Institutos Disciplinares no Brasil e que a predileção histórica do Estado brasileiro, em geral, pelo isolamento social ou aprisionamento como solução para o problema da delinquência juvenil demonstra que o ideário da higiene social ainda permanece na execução das políticas públicas voltadas aos jovens que atualmente denominamos em conflito com a lei.
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Esse livro busca explorar a história do movimento humanista existencial na psicologia, buscando compreender os pontos de convergência e divergências das correntes da psicologia humanista americana e das correntes fenomenológicas-existenciais europeias. Com o intuito de apresentar a história, os fundamentos e as filosofias de base dessas diferentes correntes, esse livro é fundamental para quem quer conhecer de forma introdutória mas bem fundamentada os atravessamentos dessas diferentes correntes da psicologia, da psicoterapia e da psicopatologia. Em um primeiro momento, é apresentado as condições de nascimento da Psicologia Humanista americana, apresentando as principais bases filosóficas e seus desdobramentos. Em seguida, há a descrição das filosofias fenomenológicas e existencialistas e como elas constroem as condições de aparecimento das clínicas fenomenológicas-existenciais, a psicopatologia fenomenológica e o movimento da antipsiquiatria. Por último é feito uma discussão dos atravessamentos entre as clínicas europeias de base fenomenológica-existencial e as psicologias americanas de base humanista apontando suas aproximações e diferenciações
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Este ensaio objetiva refletir os aspectos epistemológicos, históricos e contemporâne-os do serviço de plantão psicológico. Situa o campo do plantão psicológico de modo a pensá-lo a partir da ideia de um serviço, e não uma abordagem ou área. Indica os aspectos epistemoló-gicos do serviço pelo surgimento do campo do aconselhamento psicológico, pela transição da Psicologia experimental para a Psicologia aplicada, norteada pelos saberes funcionalistas, psi-cométricos e personalistas, em que Carl Rogers foi determinante na proposição de uma inter-venção não-diretiva. Disserta como o aconselhamento não-diretivo foi recebido no Brasil e se institucionalizou como disciplina e prática de estágio em centros de formação em Psicologia, transformando-se no serviço de plantão psicológico, havendo (des)continuidades em relação à modalidade anterior. Pondera alguns aspectos contemporâneos do plantão psicológico ao reconhecer que ele: está restrito a uma prática universitária de prestação de serviço que, ainda, precisa ser consolidada no campo profissional; requer mais discussões em relação as suas apli-cações on-line, avaliações e apropriações pela abordagem cognitiva-comportamental. Conclui que essa reflexão reapresenta o plantão psicológico em seu passado, presente e futuro.
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A História da Psicologia é considerada um campo de pesquisas, discussões, ensino e formação profissional, que tem se propagado e circulado, no Brasil e em outros países, a partir de várias manifestações culturais acadêmicas. Este artigo descreve e analisa produções brasileiras em História da Psicologia, segundo uma análise bibliométrica de artigos publicados de 1996 a 2019. Obtivemos 112 textos em que os dados foram categorizados em três grandes grupos: perfil dos autores; características da produção; e aspectos dos estudos. Os resultados indicam preponderância de autor principal feminino e, independentemente do gênero, há prevalência de doutores como primeiro autor, com predominante filiação institucional do Sudeste. As produções versam, principalmente, sobre temas como Educação, História dos Saberes Psicológicos e Política. Por fim, os resultados sugerem um uso pouco uniforme do termo “história da psicologia”, que vem ligado tanto a trabalhos propriamente historiográficos quanto a estudos que fazem “históricos” ou “introdução/conceitualização” de temáticas, bem como a ocorrência de títulos, resumos e palavras-chave pouco precisos.
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Esta pesquisa histórica descreve o processo de institucionalização e de circulação de um projeto de Psicologia da Educação entre o Pontifício Ateneu Salesiano, em Turim, e a Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, em São João del-Rei, entre 1938 e 1959. Para realizá-la, foram recolhidos documentos no Centro Salesiano de Documentação e Pesquisa, em Barbacena, e no Centro de Documentação e Pesquisa em História da Psicologia, em São João del-Rei. Dentre essas fontes, destacam-se publicações pontifícias, trabalhos acadêmicos publicados pela revista Salesianum, documentos administrativos das instituições mencionadas, documentos de personagens que participaram do processo histórico e fotografias. O arquivo foi analisado em conformidade com a história social do conhecimento e procurou evidenciar informações cronológicas e aspectos sociais e teóricos que permitissem caracterizar a constituição de uma proposta científica de Psicologia da Educação e as estratégias empreendidas para sua circulação. Entende-se que a institucionalização da psicologia entre os salesianos da Itália ocorreu mediante a criação do Instituto de Psicologia Experimental e do Instituto Superior de Pedagogia do Pontifício Ateneu Salesiano. Esses institutos atendiam a exortações pontifícias de valorização do neotomismo, bem como respondiam ao desenvolvimento de psicologias científicas na Itália e à necessidade de formação acadêmica de salesianos que atuariam em ambientes educativos. Os intelectuais desse grupo de conhecimento defendiam certas concepções de educação, pedagogia e psicologia e, ao delinearem um projeto científico aplicado às questões escolares, as disseminavam em diferentes contextos. Para tanto, empreendiam estratégias de circulação de conhecimento a partir do Pontifício Ateneu Salesiano, tais como a participação em eventos acadêmicos, as práticas de ensino, as pesquisas e as publicações especializadas. Em São João del-Rei, a fundação da Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras aconteceu em meio a repercussões locais dos debates entre intelectuais católicos e escolanovistas a respeito da aplicação de conhecimento científico para a resolução de problemas escolares. Esse contexto favoreceu a criação do Instituto de Psicologia e Pedagogia a partir do Laboratório de Psicologia Experimental, do Centro de Estudos Pedagógicos e do Serviço de Orientação Educacional e Profissional. Tal como acontecia nos institutos turineses, o grupo de conhecimento presente na Faculdade Dom Bosco empreendeu um conjunto de estratégias de circulação da psicologia, dentre as quais se destacam a promoção de eventos especializados e as atividades de extensão universitária. Durante o período investigado, os salesianos e os personagens a eles ligados se consolidaram como um grupo de conhecimento. Inseridos em uma rede de circulação de psicologia estabelecida entre institutos católicos, fundaram entidades que atuaram como zonas de contato entre o conhecimento produzido internacionalmente e as demandas locais de aplicação da psicologia para a educação da juventude. Eles também repercutiram debates a propósito da profissionalização da psicologia e da orientação educacional e procuraram abordar a juventude de maneira integral. Este trabalho amplia a produção acadêmica em História da Psicologia ao estudar a institucionalização e a circulação de um projeto de Psicologia da Educação aplicado à escolarização da juventude, explicitando as relações entre intelectuais católicos italianos e brasileiros ao longo do período investigado.
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Esta tese lança luz historiográfica sobre processos legais relacionados à regulamentação da formação e profissão de psicólogo, no país. O processo legal culminou com a aprovação da Lei nº 4119/62, cuja origem ocorreu a partir da década de 1930 e finalizou na década de 1970, com a promulgação de documentos vinculados aos Conselhos de Classe. Assim, o objetivo foi o de descrever e analisar o trâmite legal da regulamentação da Psicologia, no Brasil, entre 1950 e 1962. Particularmente, identificamos atores sociais e controvérsias quanto a aspectos da formação e do exercício profissional, quando do trâmite e regulamentação da Lei nº 4.119/62. A pesquisa está lastreada em análise documental e as fontes primárias são, prioritariamente, documentos legais componentes do Dossiê Legislativo da referida lei. Os resultados obtidos sugerem embates em torno de dois eixos centrais: as funções do psicólogo e a qualidade de sua formação. O primeiro apareceu nas controvérsias relacionadas ao fazer clínico da Psicologia que, nas fontes pesquisadas, apareceu concorrente à atuação da Medicina e da Assistência Social. Ainda nessa seara, houve intensos debates sobre aqueles que seriam reconhecidos como psicólogos, a partir da promulgação da lei supracitada. Isso se devia, novamente, ao que seria estabelecido como função prévia vinculada, necessariamente, a tal profissão. O segundo eixo referia-se ao estabelecimento de um currículo que, a partir da delimitação do que o psicólogo poderia – ou não – fazer, instituir-se-ia a partir de um conjunto de disciplinas que oportunizasse a formação para sua futura atuação. Destarte, notase que a regulamentação veio atender às “necessidades sociais” brasileiras (e.g., racionalização do trabalho, problemas escolares etc.), além de responder às crescentes demandas daqueles que já ocupavam os campos de atuação eminentemente psicológicos.
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