A sua pesquisa
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O artigo apresenta uma alternativa para orientar o processo de ensino-aprendizagem na formação inicial de professores de Física no Brasil, por meio da relação entre “metodologia de projetos” e investigação-ação, a fim de se romper com a lógica da transmissão de conteúdos e da memorização nessa área. A “metodologia de projetos” é capaz de criar e incorporar conhecimento, por meio de dois aspectos: 1. a elaboração e o desenvolvimento de projetos articulados em torno de um programa de pesquisa de maneira contínua; 2. a investigação-ação de vertente emancipatória sistematizada por meio da gestão social e racional de ciclos que acontece em uma espiral de etapas de planejamento, ação, observação de fatos e reflexão sobre o resultado da ação. Articular a “metodologia de projetos” e a investigação-ação possibilita um ambiente educacional colaborativo que favorece o ato de ensinar a pensar a partir da indagação sistemática e autocrítica. Nesse ambiente, os sujeitos são desafiados a aprender a trabalhar com o outro em um processo reflexivo que se dá de modo individual e coletivo com atenção aos diversos tipos e ritmos de aprendizagem. Desse modo, o artigo contribui para que docentes de Física encontrem meios de intervir em sua prática educacional para que gradativamente possam também interferir, de modo consciente, na realidade que os cerca.
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Em meados do século XX, a Psicologia Clínica, e, particularmente, a Psicoterapia, se fortaleceram como práticas da Psicologia no Brasil. Registros históricos desvelam aspectos da conformação de tal campo, sobretudo pela presença de profissionais de diferentes áreas do Campo Psi – e.g., psiquiatras, psicólogos e psicanalistas –, os quais estariam envolvidos em controvérsias relativas aos aspectos legais, metodológicos, de aplicação, no intuito de solucionar problemas de ajustamentos. Essa pesquisa propõe a construção de uma narrativa historiográfica do campo Psi a partir de um de seus atores, a saber, Elso Arruda. Acreditamos que analisar os debates no campo Psi, sobretudo da personagem, propicia-nos revelar aspectos da conformação da Psicologia Clínica, no país. Metodologicamente, essa é uma investigação historiográfica, elaborada a partir do entroncamento da História, da História das Ciências e da História da Psicologia, com uso de estratégias do gênero biográfico e biografia contextualizada, por meio do emprego de ferramentas para ler os dados e os conceitos advindas da História das Ciências, da compreensão de circulação dos fatos científicos de Bruno Latour e controvérsias, advindas dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia – ESTC. Foram utilizados ainda, aspectos da pesquisa teórico-conceitual e, por fim, lançamos mão da História Oral. Para análise e interpretação das fontes primárias foi proposta a ideia de análise documental e o uso do software Iramuteq. Utilizamos como fontes primárias textuais produções de autoria de Elso Arruda publicadas nos três períodos de veiculação dos Arquivos Brasileiros de Psicologia; 06 livros de autoria de personagem, configurando o recorte temporal de 1940 a 1985; e acessamos o acervo digital brasileiro – Hemeroteca; além de fontes orais por meio da entrevista de cinco ex-alunos e colegas de trabalho de Elso Arruda quando diretor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. As fontes sinalizam sua circulação no campo dos saberes Psi. Sugeriram ainda que já havia rumores sobre o anseio de uma reforma psiquiátrica na década de 1960 no Brasil. Parte desses debates apresentava uma discussão no campo da Psicologia Clínica como o eixo de intersecção entre os saberes Psi, a saber, Psiquiatria e Psicologia. Nessa perspectiva, as fontes sugerem influências das propostas da antipsiquiatria e do antidiagnóstico nos debates entre os saberes Psi, como também o uso da Antropologia e da Fenomenologia Existencial para “ler” o sujeito “desajustado”. Sinalizam também controvérsias entre dois modelos psiquiátricos produzidos da tensão entre psiquiatras que nominavam de “modernos”, na contramão dos que seriam “clássicos”, denominados por Arruda como modelo “psiquiátrico clássico” e modelo “moderna psiquiatria”. Identificamos um alargamento do modelo “psiquiátrico clássico” por parte de alguns psiquiatras envolvidos com o campo das práticas da clínica Psi, ao absorver aspectos psicológicos (subjetividade) e sociais. Tal alargamento produziu controvérsias também no campo da assistência à saúde mental, com foco na prevenção, reabilitação e promoção. Identificar essa expansão sinalizou aspectos da conformação da Psicologia Clínica como campo de atuação operando de forma auxiliar da atuação do psiquiatra, oferecendo métodos e técnicas psicológicas para diagnósticos e tratamento psiquiátricos. Por fim, a pesquisa permitiu inferir que a Psicologia clínica teve sua conformação relacionada diretamente com a práxis clínica da Psiquiatria.
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El presente trabajo consiste en una revisión bibliográfica narrativa, que recopila documentos y códigos de ética, bien como, orientaciones del núcleo-ético compuesto por expertos en investigación en Historia de la Psicología-. Para, por un lado, retomar lo ya vivido al nivel del êthos, que hace referencia a lo habitual o hábito de esta comunidad científica, es decir, las prácticas comunes realizadas en las investigaciones de la Historia- y, por otro lado, sobre lo encontrado a este nivel del êthos fomentar la emergencia del pensar meditativo y metódico, científico, desde la ética filosófica. En tal sentido, busca promover reflexiones sobre consideraciones éticas implícitas y explicitas que orientan las prácticas investigativas en Historia de la Psicología.
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Descrever e analisar produções de enfermagem, no Brasil, que circularam na revista Annaes de Enfermagem, entre 1932 e 1988. Método: pesquisa historiográfica de cunho bibliométrico, cujas fontes primárias foram textos da referida revista, analisados de maneira mista: quantitativa e qualitativamente. Resultados: as análises indicaram número expressivo de publicações por autores anônimos; predominância de autoria feminina; relativa conexão entre as carreiras e as atuações das autoras e suas relações com a produção circulante nos Annaes; espaço exclusivo para enfermeiras diplomadas socializarem suas produções; e um esforço de definição da profissão, redefinindo-a como “moderna e científica”. Conclusão: as produções que circularam, no periódico, focalizavam qualificar a formação da enfermeira e institucionalizar leis que garantissem a defesa da classe profissional e de seus interesses socioeconômicos. As discussões representaram preocupações do coletivo de pensamento, ao eleger os “problemas de enfermagem” que conformavam sua profissionalização.
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A finales de la década de los ochenta se comenzaron a estudiar algunas características de las publicaciones en psicología acerca de la presencia disímil de género, raza y otras minorías, mostrando que muchas autorías y participantes de los estudios eran de raza blanca, de clase media y hombres. Por esto, consideramos relevante investigar la posición que ocupó la mujer en la historia de la Revista Puertorriqueña de Psicología. Para ello realizamos un estudio mixto de base sociobibliométrica de la producción escrita de la revista. Analizamos y procesamos los datos en programas informáticos especializados en el ámbito de la bibliometría, el análisis de redes sociales y conceptuales. En los resultados se visibilizó el lugar de preponderancia y liderazgo que ocuparon las mujeres como productoras de textos y de redes de colaboración. Observamos en las principales temáticas de los textos una incipiente orientación a temas de género, que se consolidó con el transcurrir de los volúmenes, con temáticas que incluyeron a las mujeres y la diversidad sexual.
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A conformação da Psicologia Clínica ocorreu por meio de tensionamentos produzidos por diferentes profissionais, envolvidos nas práxis da clínica psi, no país. Parte desses embates ressaltam a utilização de métodos e técnicas psicológicas, para solução de problemas de ajustamento, no campo Psi - Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise. Esta pesquisa objetiva identificar e caracterizar tensionamentos no campo psi referentes à Psicologia Clínica a partir de publicações de um de seus personagens, Elso Arruda. Metodologicamente, essa é uma investigação sociobibliométrica, que se insere na interseção entre a História Social da Psicologia, a História da Psiquiatria e a História da Psicanálise. Para a análise do conteúdo das fontes primárias utilizamos o software Iramuteq. Os resultados sugerem que circularam, entre os saberes psi, discursos pró-reforma psiquiátrica, na década de 1960. As fontes indicam ainda uma mudança da noção de diagnóstico na clínica psi, norteada por uma proposta antipsiquiátrica e antidiagnóstica, bem como o uso da psicologia, da psicanálise e da fenomenologia existencial para compreender o indivíduo.
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Esta proposta se caracteriza como uma pesquisa histórico-conceitual que objetivou identificar as produções de Celso Pereira de Sá vinculadas à Análise do Comportamento e interpretar as redes conceituais e filosóficas contidas nestes trabalhos, relacionando-as com elementos historiográficos de sua atividade intelectual entre 1970 a 1990. O percurso metodológico foi organizado em duas dimensões; uma historiográfica a qual se utilizou da análise documental e outra conceitual a qual se utilizou do software Iramuteq e de apropriações de estratégias do Procedimento de Interpretação Contextual de Texto (PICT). Encontramos um autor refletindo sobre o papel do intelectual e da produção de conhecimento científico para a resolução de problemas sociais eminentemente brasileiros. Sá investiu na educação política popular no qual a população teria ela própria condições de produzir conhecimento sobre sua realidade e nela intervir. Seu conceito de comportamento baseia-se no entendimento de que o sujeito é necessariamente um ser histórico, social e verbal. Além disso, o conceito de contracontrole social indica uma transformação na sociedade, salientando o papel do comportamento verbal como veículo potencializador na mobilização para a transformação social.
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Este artigo descreve e analisa relações entre assistência, cuidado em saúde e benemerência aos doentes internados com lepra no Sanatório São Julião, entre os anos de 1941 e 1986. Este é um estudo historiográfico que analisou fontes primárias textuais e orais a partir de aportes da Análise Documental e da História Oral. Os resultados indicam, de maneira geral, que dois cenários se destacaram, por um lado, pelo cuidado com a população sadia, mantendo aquelas pessoas internadas na ausência de tratamento, por outro, no controle dos corpos dos internos que aparecia ora como prática de cuidado em saúde do corpo, por vezes pela produção de práticas assistencialistas. Assim, nota-se que a articulação daquelas práticas pode ser compreendida como estratégias de esquadrinhamento da população sadia e não sadia, de modo a marcar os lugares em que se circula e quem pode circular, portanto, não propriamente como curativas de enfermidade, em si mesmas.
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Recentemente tem sido objeto de pesquisa historiográfica a análise do movimento de certas teorias psicológicas, que, tendo sido desenvolvidas em determinados locais, viajam para outras regiões, resultando em uma transformação influenciada pela especificidade local. Nesse sentido, o objetivo central deste estudo é analisar as dinâmicas de produção e recepção dos conceitos de controle e contracontrole social tomando como duas unidades de análise as propostas de James G. Holland e de Celso Pereira de Sá. Os resultados sugerem que: (1) os construtos foram concebidos em um contexto de luta de Direitos Civis nos Estados Unidos da América, compondo um cenário de destaque ao compromisso político; (2) os conceitos foram utilizados como ferramenta de uso prático na análise da realidade brasileira com o intuito de popularizar as tecnologias da ciência comportamental; e (3) as obras de Celso Pereira de Sá podem constituir-se um ponto de interface entre o comportamentalismo radical de Skinner e a Psicologia Social
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Para realizar o objetivo de apreender os modos em que era pensado o aparelho psíquico em todas as suas dimensões no Brasil do período colonial, partimos da hipótese de que os processos psíquicos são concebidos no âmbito da cultura como dimensões ou elementos de um espaço que possui algum tipo de organização.A expressão “aparelho psíquico” foi usada por Freud para designar os modelos concebidos para explicar a organização e o funcionamento da mente. Utilizaremos essa expressão para nos referir à elaboração dos esquemas e modelos epistêmicos, por meio dos quais, em determinado momento histórico, o universo da vida psíquica foi observado e tematizado. Dessa forma, buscaremos realizar a reconstrução de saberes e práticas referentes aos fenômenos psíquicos tomados como partes do aparelho psíquico, no universo espaçotemporal escolhido.
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O artigo tem por objeto as Cartas Anuas redigidas pelos Superiores das missões jesuítas da Província do Paraguai, ou Reduções, nas primeiras décadas do século XVII. Nesses documentos, são evidenciados os registros dos efeitos da devoção à Nossa Senhora de Loreto, introduzida pelos missionários, sobre o imaginário dos jesuítas e das populações indígenas guaranis que ocupavam aqueles territórios. O objetivo é destacar a função persuasiva atribuída à imagem na ótica da narrativa das missivas e a relação entre a devoção à Nossa Senhora de Loreto e a elaboração da experiência pessoal de missionários e nativos na perspectiva dos autores das cartas. O método do trabalho partirá da seleção de trechos referentes a esses temas para, a seguir, fazer uma análise crítica que será realizada com base nas concepções de imagem e de sua função persuasiva, próprias da teologia da época, e da concepção da pessoa e de seu dinamismo psicológico e espiritual, próprias da psicologia fenomenológica.
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