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A Psicologia Humanista de Carl Rogers apresenta um fértil e complexo legado que congrega diversas influências psicológicas, filosóficas e psicoterapéuticas. Em especial, os aportes da Fenomenologia são enfatizados no Brasil, ao passo que é comum associar a abordagem rogeriana como uma perspectiva fenomenológica. Partindo de variados questionamentos sobre isso, este livro aborda o que Rogers citou, referiu e mencionou sobre autores e termos relacionados ao pensamento fenomenológico para situar, contextualizar e ponderar a sua relação com a Fenomenologia. Segundo critérios historiográficos e epistemológicos, foram desenvolvidos cinco estudos que investigam qual é o tipo de Fenomenologia que Rogers deparou no ceme da constituição do seu pensamento nos Estados Unidos da América. Além disso, discute algumas tensões presentes na aproximação de Rogers com a Fenomenologia, no Brasil, a partir de pontos relacionados: ao estatuto da experiência consciente no pragmatismo rogeriano e na filosofia husserliana; ao entendimento da consideração positiva incondicional como uma atitude de suspensão fenomenológica; à compreensão empática com uma via de acesso a subjetividade alheia à luz da Fenomenologia Social de Schütz. Paulo Coelho Castelo Branco é docente do Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Psicologia da Universidade Federal do Ceará, onde coordena o Núcleo de Estudos em Psicologia Humanista (NEPH). É bolsista produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Dedica-se a estudos sobre Epistemologia, História e Clínica da Psicologia Humanista em seus desenvolvimentos matriciais nos EUA e locais no Brasil.
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A educação escolar se estabeleceu como uma importante porta de entrada da psicologia científica no Brasil. Marcada pelo intuito de atribuir caráter científico ao processo ensino-aprendizagem, os testes de inteligência ocuparam um lugar central neste processo. Nosso objetivo foi analisar o processo de recepção/circulação dos testes de inteligência no Brasil, a partir da experiência da Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais. Desta forma, analisamos as alterações/adaptações a que foram submetidos os testes estrangeiros quando do início de sua utilização nas escolas mineiras, tomando como referência dois testes: o Teste de Dearborn e o Teste de Vocabulário e Inteligência do Dr. Simon. Produzidos, respectivamente, nos Estados Unidos e na França, foram adaptados às necessidades locais de utilização dos instrumentos. Buscamos mostrar como o contexto político-social local influenciou nas alterações de formato e modos de aplicação dos testes. Pudemos concluir que não se tratou, portanto, de um processo de mera tradução e adaptação às crianças da cidade e do estado. Foi possível demonstrar que o trabalho de apropriação dos dois testes analisados influenciou a elaboração de novos instrumentos que atendessem as necessidades locais.
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No intuito de compreendermos o lugar da licenciatura na formação de psicólogos, logo após a Lei nº 4119/62, este artigo apresenta um estudo de caso sobre a inserção da licenciatura no curso de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) durante a década de 1960 e suas contribuições para os ex-alunos, ingressantes nesse período. O estudo historiográfico é fruto de pesquisa de doutorado e utiliza como procedimento metodológico a análise de fontes primárias e entrevistas com ex-alunos. Os resultados demonstraram que a licenciatura em Psicologia foi inserida no curso da UFMG desde a primeira turma de entrada de alunos de 1963 e ofertada no formato de cumprimento obrigatório para todos os alunos daquele ano. Em 1965, a licenciatura tornou-se uma formação opcional e, a partir de então, cada vez menos alunos passaram a optar por ela. Os entrevistados confirmaram os dados obtidos na análise documental relativos ao funcionamento da modalidade e apontaram os aspectos metodológicos aprendidos durante a licenciatura como as principais contribuições para suas formações profissionais. Esperamos que a pesquisa contribua com as reflexões sobre a oferta da licenciatura na formação dos psicólogos brasileiros e com os estudos históricos sobre a Psicologia no Brasil.
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Buscamos compreender, nesta dissertação, como a História da Psicologia está concebida nos currículos dos cursos de graduação em Psicologia no Brasil e nas discussões das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). Para tal, foram realizados um mapeamento dos cursos de graduação em Psicologia nas cinco regiões do país e uma busca de documentos oficiais que regulamentam o ensino e a profissão de Psicologia. Como percurso metodológico, foi feito um levantamento de dados na plataforma digital do e-MEC, no ano de 2019, a partir dos quais verificou-se a existência de 693 cursos de graduação em Psicologia cadastrados no país. Além disso, foi feita a análise de documentos legais referentes ao ensino de psicologia, em especial aqueles vinculados ao currículo mínimo e às DCNs. Tal análise contou com o auxílio de discussões teóricas da literatura acerca da formação em Psicologia no Brasil. As análises foram sistematizadas a partir de cinco eixos: no primeiro, abordamos o processo de normatização da profissão e da formação em Psicologia; no segundo, as críticas acerca desse processo e as propostas de mudanças curriculares; nos terceiro e quarto eixos, revisitamos os debates referentes às DCNs até o presente momento; e no quinto e último, apresentamos os resultados do mapeamento realizado. Notamos, assim, que a maioria dos cursos funcionam no eixo Sudeste-Sul, e que dentro da quantidade amostral escolhida, 123 Instituições de Ensino Superior (IES) possuem o componente curricular com a denominação de “História da Psicologia”. Verificamos, também, que existe um padrão na forma como as matrizes curriculares são estruturadas e seus componentes curriculares, ofertados. Por fim, retornamos à discussão de alguns pontos, como: a presença frequente de História da Psicologia nos currículos dos cursos de graduação em Psicologia e a importância que essa presença representa para uma formação crítica da psicóloga, visto estar, esse componente curricular, manifesto desde a proposta do primeiro curso de graduação em Psicologia – muito antes de a Psicologia ser considerada uma profissão e um campo de ensino em termos oficiais.
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Esta tese lança luz historiográfica sobre processos legais relacionados à regulamentação da formação e profissão de psicólogo, no país. O processo legal culminou com a aprovação da Lei nº 4119/62, cuja origem ocorreu a partir da década de 1930 e finalizou na década de 1970, com a promulgação de documentos vinculados aos Conselhos de Classe. Assim, o objetivo foi o de descrever e analisar o trâmite legal da regulamentação da Psicologia, no Brasil, entre 1950 e 1962. Particularmente, identificamos atores sociais e controvérsias quanto a aspectos da formação e do exercício profissional, quando do trâmite e regulamentação da Lei nº 4.119/62. A pesquisa está lastreada em análise documental e as fontes primárias são, prioritariamente, documentos legais componentes do Dossiê Legislativo da referida lei. Os resultados obtidos sugerem embates em torno de dois eixos centrais: as funções do psicólogo e a qualidade de sua formação. O primeiro apareceu nas controvérsias relacionadas ao fazer clínico da Psicologia que, nas fontes pesquisadas, apareceu concorrente à atuação da Medicina e da Assistência Social. Ainda nessa seara, houve intensos debates sobre aqueles que seriam reconhecidos como psicólogos, a partir da promulgação da lei supracitada. Isso se devia, novamente, ao que seria estabelecido como função prévia vinculada, necessariamente, a tal profissão. O segundo eixo referia-se ao estabelecimento de um currículo que, a partir da delimitação do que o psicólogo poderia – ou não – fazer, instituir-se-ia a partir de um conjunto de disciplinas que oportunizasse a formação para sua futura atuação. Destarte, notase que a regulamentação veio atender às “necessidades sociais” brasileiras (e.g., racionalização do trabalho, problemas escolares etc.), além de responder às crescentes demandas daqueles que já ocupavam os campos de atuação eminentemente psicológicos.
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