A sua pesquisa
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O objetivo desta pesquisa é investigar a formação que Helena Antipoff e seus colaboradores propiciavam às professoras nos cursos de aperfeiçoamento em Educação Emendativa no Instituto Superior de Educação Rural na década de 1960, com foco no 2º Curso Intensivo de Educação Emendativa, realizado entre os dias 10 de janeiro e 10 de fevereiro de 1962. A revisão da literatura evidenciou que a formação de professores para a educação especial/inclusiva não foi suficientemente estudada e que estamos longe de resolver esta questão. A expressão Educação Emendativa foi amplamente utilizada nas primeiras décadas dos anos de 1900, no Brasil, para designar a educação das pessoas com deficiência. Helena Antipoff e seus colaboradores, por sua vez, utilizavam o termo excepcional para designar todos aqueles que se desviavam da norma para cima ou para baixo. Utilizamos fontes documentais arquivadas no Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, localizado na Fundação Helena Antipoff, em Ibirité, Minas Gerais. Também analisamos as Revistas do Ensino, Boletins da Fazenda do Rosário, Boletins da Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais, os Boletins do Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, bem como a Coletânea das obras de Helena Antipoff. Antipoff chegou ao Brasil em 1929 para lecionar Psicologia, na Escola de Aperfeiçoamento de Mina Gerais. Em 1939, fundou a Fazenda do Rosário, com o objetivo de educar crianças excepcionais, assim como oferecer, entre outros, cursos de Educação Emendativa destinados à formação de professores especializados. A metodologia histórica descritiva foi utilizada para análise das cadernetas, trabalhos e relatórios dos alunos, bem como os documentos didáticos produzidos pelas professoras do Curso. Os resultados encontrados evidenciam que os cursos oferecidos atraíam alunos de todo o Brasil, contando com professores renomados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os resultados demonstraram, ainda, que o curso era constituído de 26 disciplinas, com um total de 215 aulas de 50 minutos. Antipoff e seus colaboradores inspirando-se nos princípios da escola ativa de Genebra enfatizavam que, quanto mais os professores compreendessem a criança, maiores seriam as chances de triunfar nos seus objetivos de educar. As disciplinas oferecidas enfatizavam a importância de os professores observarem sistematicamente os seus alunos como o caminho seguro para conhecer suas necessidades e interesses, e, desta forma, construir instrumentos pedagógicos adequados para cada um. As disciplinas estabeleciam uma relação estreita entre a teoria e prática e, assim, as futuras professoras tinham a oportunidade de aprender fazendo as técnicas que iriam utilizar com seus futuros alunos. Concluímos que a ênfase nos princípios da Escola Ativa propostos por Claparède utilizados aproximam Helena Antipoff e seus colaboradores dos objetivos da educação especial na perspectiva da educação inclusiva hoje, já que esperamos que os professores hoje sejam capazes de atender às necessidades educativas especiais de seus alunos.
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Esta tese tem como objetivo apresentar a história da separação que a psicóloga e educadora Helena Antipoff entreteve com seu filho único, Daniel, educando-o por meio de cartas semanais entre ela e ele, durante 9 anos, de1929 a 1938. O referencial teórico utilizado para trabalhar essa extensa correspondência executa uma espécie de fenomenologia sugerida por Husserl, acrescida dos cuidados que as críticas de Kant e de Marx postulam para a atividade teórica, levando também em consideração a literatura epistolar dos últimos séculos, como as recentes publicações das cartas entre Claparède e Antipoff e das de Freud a seus filhos. Quanto ao método, depois de uma leitura longitudinal das cerca de 700 cartas, ordenadas cronologicamente, selecionamos 58 de Helena Antipoff, distribuídas em três quadros (da infância, da adolescência e da juventude de Daniel), esquadrinhadas pelos temas tratados para, em seguida, apresentarmos algumas delas. Consideramos que os resultados obtidos oferecem aos estudiosos uma visão geral do conteúdo e da relevância desse acervo para o tratamento das relações de contraponto - a partir da escola - às limitações da família, porque nos remetem ao que de melhor oferecem a filosofia, a psicologia e a pedagogia de todos os tempos para conclusão da tarefa educativa. Sobre esse patamar, ergueu-se um tripé: a criação de uma escola nova, em Beauvallon, França, as cartas semanais e o escotismo, com o verniz da musicalidade. Os golpes de estado no Brasil(1930 e 1937) e a ascensão do nazismo na Europa, envolvem o conteúdo lírico e filosófico das cartas, tornadas testemunho vivo daqueles momentos históricos. Por sua vez, a então recente ação educativa de Antipoff, na Rússia dos primeiros anos da revolução de 1917, revela-se por escrito numa tradução informal de suas dúvidas e convicções. Os insistentes convites ao filho para se juntar a ela no atendimento à juventude encarcerada pelo sistema prisional mineiro sinalizam, naqueles anos de separação, sua inclinação pelos caminhos inclusivos da educação, a tônica de sua obra magistral. À guisa de conclusão, consideramos que nosso esforço trouxe à luz - como um convite - uma opção apaixonada pela arte de viver e pela arte de educar, sugerida naquela separação voluntária entre mãe e filho por quase meio milhar de semanas, unidos pelo laço delicado e íntimo de uma mesma quantidade de cartas mar a mar.
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O comportamento infantil conhecido como hiperativo e comumente diagnosticado como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividadeé focalizado, buscando verificar em que medida suas origens podem ser relacionadas ao excesso de estimulação das crianças no mundo contemporâneo. A pesquisa parte da hipótese de que o déficit de atenção e a hiperatividade em muitas crianças diagnosticadas com TDAH seriam decorrentes do contexto psicossocial em que estão inseridas, procurando verificar em que medida este contexto tem contribuído para o surgimento de sintomas comportamentais semelhantes a esse transtorno . A metodologia utilizada na pesquisa de campo é de natureza qualitativa, baseada no método de estudo de caso múltiplo e foi desenvolvida com o objetivo de analisar a relação de três crianças com os estímulos que recebem em seu contexto vivencial, especialmente os provenientes de aparelhos eletrônicos como a televisão, o computador e os jogos de vídeo game: uma criança diagnosticada com TDAH; uma criança que apresenta um comportamento típico do TDAH, mas que não tenha sido diagnosticada; e uma criança que apresenta um comportamento considerado adequado. Para uma análise aprofundada dos dados coletados na pesquisa foi usada a Escala de Auto-Avaliação da Criança SES-C, considerando que as próprias crianças são capazes de avaliar os seus sentimentos. Esta escala, construída por Klimkeit e colaboradores (2006), foi traduzida para o português pela equipe do Laboratório de Pesquisa de Psicologia e Educação Helena Antipoff, de forma a contribuir para um diagnóstico mais eficaz do TDAH. Os resultados encontrados alertam sobre importantes fatores que devem ser considerados para a prevenção de comportamentos problemáticos na escola e na família: o uso indiscriminado das diversas tecnologias existentes atualmente, a fragilidade da família para impor limites nos filhos, e o pouco conhecimento da escola sobre os problemas de comportamento decorrentes do contexto cultural e histórico em que vivemos, além da dificuldade percebida na busca da melhor solução para estes problemas comportamentais, uma vez que não encontra apoio da família. Foi possível constatar assim, que existe uma estreita relação entre o uso indiscriminado dos aparelhos eletrônicos e o surgimento de problemas comportamentais, como a hiperatividade e a desatenção, além de evidenciar que a dificuldade das crianças não está na falta ou diminuição da atenção, mas em sua dificuldade de se focar nas atividades desenvolvidas na escola.
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A presente pesquisa apresenta uma investigação crítica do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), priorizando sua manifestação no espaço escolar. Apesar de toda a polêmica e das incertezas (diagnósticas, epidemiológicas e etiológicas) que o revestem, o TDAH apresenta-se como um diagnóstico privilegiado, que justifica e nomeia os problemas atuais da escola, tais como o “fracasso escolar” e os “desvios de comportamento”. Esse diagnóstico tem favorecido a atual via de acesso do discurso médico à educação, fortalecendo o fenômeno de patologização e medicalização dos problemas escolares. Tal fenômeno, por identificar imediatamente o déficit na criança, impossibilita uma discussão educacional, propiciando a busca de soluções externas inacessíveis à educação. Observa-se que a disseminação e a consolidação dessa categoria nosológica depende da apropriação, por parte de outros grupos, desse discurso médico. Nesse caso, mais que a apropriação, solicita-se dos educadores uma implicação, uma vez que é com base no posicionamento desses profissionais que tal discurso se propaga no espaço escolar. Assim, o que se questiona neste trabalho é exatamente a implicação do educador diante do TDAH, que pode se manifestar de forma a repetir o discurso médico ou de forma a construir uma resposta educacional. Essa pesquisa teve como objetivo principal investigar as representações dos educadores frente a esse transtorno, pois é a partir de como o educador representa o TDAH, que ele se implicará com essa sintomatologia em sua prática pedagógica. Como aparato teórico, recorreu-se à teoria das Representações Sociais, através da utilização de três recursos metodológicos – evocação livre, entrevistas e grupo focal – e às contribuições da psicanálise à educação. Nos resultados da pesquisa, observou-se, através das construções representativas dos educadores, que o TDAH é visto menos como patologia, estando mais associado aos comportamentos escolares desviantes que marcam o cenário escolar atual. Isso justifica a grande incidência desse diagnóstico nos últimos tempos, no referido contexto, e nos leva a crer que a criança TDAH é o protótipo atual da “criança problema”. Observou-se também que, mesmo com a grande incidência e insistência da afirmação do discurso médico em relação ao referido transtorno, acredita-se na existência de outras formas de evidenciá-lo, uma vez que a entidade nosológica ainda é incerta. A conclusão propõe a busca da discussão, ou de um “contra-senso”, de forma que a problematização seja aceita e que o consenso não seja forçado, sendo essa a saída mais viável para a construção de uma resposta educacional ao TDAH.
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